Pressionada por aumento dos riscos, Fed mantém juros. Promete ser “paciente”

Em 2018, o banco central subiu os juros quatro vezes. Este ano, espera realizar dois aumentos, mas o mercado já desconfia que o ciclo de subidas poderá estar próximo do fim.

Tal como esperado pelos mercados, os juros de referência nos EUA mantiveram-se inalterados na reunião desta quarta-feira da Reserva Federal norte-americana. No primeiro encontro do ano, a Fed decidiu manter a taxa diretora entre 2,25% e 2,5%, numa altura em que os receios sobre um travão no crescimento económico mundial e um aumento dos riscos globais tem levado a maior cautela por parte dos bancos centrais.

Apesar de considerar que é “provável” que o crescimento da economia e do emprego continuem, a Fed removeu do discurso que “o balanço de riscos é equilibrado”. Quanto aos instrumentos de política monetária, referiu que “algumas” subidas dos juros deverão ser esperadas em 2019 e que a redução da folha de balanço deverá continuar, mas poderá ser ajustada “à luz dos desenvolvimentos económicos e financeiros”.

“Face aos desenvolvimentos económicos e financeiros globais e às pressões inflacionárias silenciosas, o Comité está preparado para ser paciente”, sublinhou o banco central liderado por Jerome Powell, no comunicado emitido após a reunião de dois dias.

Na última reunião, que aconteceu entre 18 e 19 de dezembro, a Fed realizou o quarto aumento da taxa de juro de 2018. A decisão não foi, no entanto, consensual entre os membros do Comité Federal de Mercados Abertos, como mostraram as minutas. Enquanto alguns membros do comité não concordaram com este último aumento, outros defenderam que, no futuro, deverá ser adotada uma postura mais paciente sobre possíveis subidas.

Para já, a Fed mantém a estimativa de que irá fazer duas subidas dos juros em 2019, apesar de o banco central ter revisto em baixa as projeções para o produto interno bruto (PIB) em dezembro, para 2,3% (menos 0,2 pontos percentuais que nas projeções de setembro). O mercado está menos otimista e já aponta para apenas uma subida ou mesmo nenhuma este ano.

Quanto à redução da folha de balanço através da venda de ativos que adquiriu durante os anos de estímulos monetários, está a acontecer a um ritmo mensal de venda de 50 mil milhões de dólares em Treasuries norte-americanas e títulos garantidos por ativos ou hipotecas.

Wall Street reagiu em alta à mudança para um discurso mais cauteloso, com os três principais índices acionistas a subirem entre 1,2% e 1,6%, às 19h10 (hora de Lisboa). “De forma geral, sinaliza que a Fed já não estará em piloto automático a partir daqui”, afirmou Justin Lederer, analista de dívida norte-americana na Cantor Fitzerald, em declarações à agência Reuters.

(Notícia atualizada às 19h20)

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