“Se SIGI forem objeto de avaliação parlamentar, vai abrir-se uma caixa de Pandora”, diz Siza Vieira
Se as SIGI forem avaliadas no Parlamento, tal como o Bloco de Esquerda pediu, o ministro da Economia acredita que isso vai "descaracterizar completamente" este veículo de investimento.
O decreto-lei que aprova o regime das Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI) vai ser apreciado no Parlamento, a pedido do Bloco de Esquerda (BE) na semana passada. Para Pedro Siza Vieira, esta apreciação não é encarada de forma positiva, uma vez que poderá “descaracterizar completamente” este tipo de veículo de investimento. Contudo, está confiante que existe no Parlamento “consenso para manter este regime”.
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No documento assinado pelos bloquistas, que deu entrada na Assembleia da República a 20 de dezembro, pode ler-se que o partido “considera que não se devem criar mais estatutos especiais que beneficiem a financeirização da economia, tanto mais quando não há qualquer contrapartida que garanta políticas públicas de habitação”. Assim, foi pedida a apreciação do decreto-lei que aprova o regime destas sociedades de investimento.
Questionado sobre se o Parlamento ainda poderia não aceitar o pedido de apreciação ou se esse já era um facto, Siza Vieira tentou acalmar as preocupações dos presentes — advogados, consultores e promotores imobiliários –, embora desconhecesse se o pedido já tinha dado entrada na Assembleia da República. “Estou convencido de que existe consenso no Parlamento em manter este regime, porque é mais uma ferramenta para a legislação do mercado”, disse o ministro da Economia esta quarta-feira, durante uma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) e pela consultora Worx.
Este ponto de interrogação aos socialistas soma-se a outros já colocados pelo BE, neste que é um ano de eleições, e onde é cada vez mais notória a divergência de ideias entre o PS e os partidos que também compõem a Geringonça.
Se isto for, efetivamente, objeto de avaliação parlamentar e o Parlamento fizer audições aos agentes do mercado (…) podem ter a certeza que se vai abrir uma caixa de Pandora que, no limite, até vai começar a descaracterizar isto completamente.
“Se isto for, efetivamente, objeto de avaliação parlamentar e o Parlamento fizer audições aos agentes do mercado e estes começarem a dizer que isto tem dificuldades fiscais, ou seja, convidarem a haver alterações, podem ter a certeza que se vai abrir uma caixa de Pandora que, no limite, até vai começar a descaracterizar isto completamente“, continuou.
Apelando aos presentes, Siza Vieira referiu que “se as pessoas à volta desta mesa começarem a descobrir mais problemas do que vantagens, então isto [SIGI] não serve para nada”. Sublinhou a importância de mostrar que somos um país capaz de ser “agente de captação de poupanças” e referiu que o objetivo é “trazer mais imóveis para o arrendamento da habitação”. “Este é um movimento a prazo. Mas se as coisas não acontecem, aquilo que nós temos é depois movimentos no Parlamento que vão exatamente no sentido contrário. Porque é preciso responder à pressão dos acontecimentos”, rematou.
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