Espanha com medo da concorrência. Podem as SIGI roubar investidores às SOCIMI?

As SOCIMI espanholas estão receosas quanto à entrada em vigor das portuguesas SIGI. No país vizinho receia-se que os investidores optem por investir em Portugal, por oferecer mais vantagens.

Os espanhóis temem a (nossa) concorrência. Portugal está cada vez mais na moda e, agora, com a aprovação das Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI), é mais um ponto a favor na captação de investimentos. Com Espanha ainda a discutir o regime fiscal das SOCIMI (Sociedade Anónima Cotizada de Inversión en el Mercado Inmobiliario), os investidores do país vizinho temem que os investimentos passem para terras lusas, numa altura em que o Governo espanhol discute o fim dos benefícios fiscais.

“É uma boa notícia para o setor imobiliário e, além disso, é muito oportuno porque Portugal está a viver um momento positivo e a captar investimento“, começa por dizer Hugo Santos Ferreira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), em declarações ao Cinco Días (conteúdo em espanhol).

Contudo, acrescenta que, embora o mercado nacional seja “muito atrativo”, tem dois problemas: “a subida de preços sobretudo no setor residencial” e a ” grande falta de oferta de ativos”. “A diferença do que acontece em Espanha é que esta figura [SIGI] criou-se para atrair mais investidores para o residencial”.

E as próprias SOCIMI reconhecem este potencial do mercado português. “É uma oportunidade para o mercado português e que atrairá mais investimento estrangeiro”, destaca João Cristina, responsável em Portugal da SOCIMI Merlin Properties, que tem investido em força no imobiliário nacional. “Os preços continuam a ser atrativos e o crescimento dos rendimentos [preços dos arrendamentos], sobretudo em Lisboa, são excelentes”.

Para os espanhóis, isto pode não ser positivo, sobretudo porque o Governo quer acabar com os benefícios fiscais das SOCIMI e “Portugal aparece com um mercado muito dinâmico e muito na moda”. “Espanha está a voltar para trás”, sublinha Hugo Ferreira, ao jornal espanhol.

Contrariamente às SOCIMI, que incluem uma tributação entre os 19 e os 23% para os investidores estrangeiros, para as SIGI essa taxa é de apenas 10%. Ainda assim, nem todos acreditam que a concorrência vá ser prejudicial. “São mercados distintos e com uma velocidade diferente, pelo que não acreditamos que afete os investimentos em Espanha nem represente uma concorrência diferente da atual”, opina Alberto Segurado, diretor de assessoria de investimento da JLL.

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