Novo Banco: CDS-PP quer ouvir Centeno e Bloco culpa PS e direita pelos prejuízos

  • Lusa
  • 2 Março 2019

O CDS quer ouvir o ministro das Finanças sobre o Novo Banco no parlamento “com a máxima urgência”, enquanto o Bloco de Esquerda responsabiliza PSD, CDS e PS pela situação financeira do banco.

O CDS-PP quer ouvir o ministro das Finanças sobre o Novo Banco no parlamento “com a máxima urgência”, se possível na próxima semana, sublinhando que uma injeção de capital público “é o oposto” do que foi prometido pelo Governo.

“O CDS considera preocupantes e encara até com alguma estupefação estas notícias, porque contrariam aquilo que, nomeadamente por perguntas feitas por deputados do CDS, o Governo e o ministro das Finanças sempre disseram”, afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, em declarações à Lusa.

“Esta necessidade e eventual injeção de capital público foi aquilo que o ministro das Finanças disse que não iria acontecer por força do mecanismo criado e que então mereceu a nossa crítica”, acrescentou.

Por essa razão, o CDS-PP considera que “é inevitável, urgente, mais do que exigível” que o ministro das Finanças, Mário Centeno, dê uma explicação “ao país e ao parlamento sobre estes novos factos”.

Uma vez que o PSD já solicitou, na sexta-feira, a audição parlamentar de Mário Centeno sobre este tema, os democratas-cristãos acompanharão o pedido dos sociais-democratas, mas pedem rapidez.

“Entendemos que o senhor ministro deve ir ao parlamento com a máxima urgência, diria mesmo durante a próxima semana, explicar os contornos concretos das notícias que nos causaram estupefação, precisamente porque são o oposto do que o ministro sempre disse”, frisou Nuno Magalhães.

O presidente da bancada centrista disse “nada ter a opor” à auditoria que o Governo já anunciou à recapitalização do Novo Banco, mas separou este processo das “explicações urgentes” que considera serem necessárias.

Questionado sobre as críticas da coordenadora do BE, que hoje responsabilizou também o anterior executivo PSD/CDS-PP pela a situação do Novo Banco, Nuno Magalhães respondeu que Catarina Martins não pode falar “como se fosse comentadora política, quando é uma das principais apoiantes e responsáveis deste Governo, deste ministro e desta decisão”.

O Novo Banco vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução, divulgou na sexta-feira o banco.

No ano passado, para fazer face a perdas de 2017, o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução, pelo que, a concretizar-se o valor pedido agora, as injeções públicas ficarão em mais de 1.900 milhões de euros.

O Ministério das Finanças anunciou na sexta-feira que “considera indispensável” a realização de uma auditoria” para escrutinar o processo de capitalização do Novo Banco.

“Dado o valor expressivo das chamadas de capital em 2018 e 2019, o Ministério das Finanças, em conjugação com o Fundo de Resolução (FdR), considera indispensável a realização de uma auditoria para o escrutínio do processo de concessão dos créditos incluídos no mecanismo de capital contingente”, afirmou o Ministério das Finanças, em comunicado.

Bloco responsabiliza PSD, CDS e PS pela situação do Novo Banco

O Bloco de Esquerda responsabilizou este sábado PSD, CDS e PS pela situação do Novo Banco, depois de se saber que a instituição financeira vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

O que aconteceu com o BES e o Novo Banco é uma lição do que não deve ser feito no país e tem responsabilidade no PSD, CDS e PS”, afirmou Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) falava aos jornalistas, em Amarante, onde hoje se deslocou para tomar uma posição política sobre a barragem de Fridão, um aproveitamento hidroelétrico, no rio Tâmega, ao qual o BE se opõe.

Falando sobre a questão do Novo Banco, afirmou: “Neste momento, não sei como é possível o mesmo Governo que diz que não há dinheiro para reivindicações laborais que, quando olhamos para a dimensão do novo Banco, são, de facto, tão modestas, continuar sem compreender que é preciso uma alteração profunda da forma como este país lida com o sistema financeiro”.

A dirigente reafirmou que PSD e CDS “mentiram ao país” quando disseram que a resolução do BES não ia ter custos para o erário publico, “mas já vai em mais de cinco mil milhões de euros”.

Considerou ainda que o Governo do PS mentiu “quando garantiu que a venda do Novo Banco era a melhor forma de travar o gasto de dinheiro público com o ex-BES”.

“Sempre dissemos: se nós pagamos, mais vale sermos donos. O banco devia ter ficado para o Estado, porque nós continuamos a pagar um banco que, de facto, foi entregue a acionistas privados, foi entregue a uma multinacional”, acentuou, concluindo: “Estamos a pagar os lucros dos outros. Nacionalizámos prejuízos e continuamos a pagar esses prejuízos”.

Catarina Martins recordou hoje em Amarante que o BE defendeu que Estado devia ter nomeado um administrador “para poder controlar o que estava a acontecer”.

“O Estado não nomeou nenhum administrador e agora vem Mário Centeno [ministro das Finanças] dizer que quer uma auditoria. É trancas à porta depois da casa roubada, não tem nenhum sentido”, rematou.

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