Novo Banco com prejuízos de 1.412 milhões. Pede 1.149 milhões ao Fundo de Resolução

Novo Banco apresentou prejuízos de 1.412 milhões de euros em 2018. Os resultados do ano passado foram revistos em alta (incluindo a injeção de capital) para para 2.298,0 milhões de euros.

O Novo Banco fechou 2018 com prejuízos de 1.412 milhões de euros. Vai pedir 1.149 milhões de euros do Fundo de Resolução, no âmbito do mecanismo de capital contingente criado aquando da venda ao Lone Star, em 2017, para compensar as perdas avultadas que teve com a venda de ativos problemáticos.

No ano passado, o banco liderado por António Ramalho tinha anunciado registado um resultado negativo de 1.395 milhões de euros e também recorreu ao Fundo de Resolução. Reviu agora este valor para 2.298,0 milhões de euros (justificado com o facto de a injeção de capital do Fundo de Resolução ter passado a contar como capital, em vez de receita), pelo que os prejuízos agora apresentados representam uma melhoria de 38,5%.

Este resultado negativo está relacionado com a venda crédito malparado ao longo do ano passado, incluindo uma carteira de 2.150 milhões de euros em dezembro, e que é reconhecida como perdas nas contas. Depois dessas operações, o rácio de non-performing loans (NPL) caiu para 22,4% (face aos 28,1% no ano passado), enquanto as provisões e imparidades reduziram em 36,7% (ou 147,2 milhões de euros).

O prejuízo vai levar o Novo Banco a recorrer, mais uma vez, ao Fundo de Resolução para obter os fundos necessários que garantam uma capitalização adequada da instituição. “Este montante decorre em 69% das perdas assumidas sobre os ativos incluídos no CCA [relativos ao Mecanismo de Capital Contingente] e 31% devido a requisitos de capital regulatórios no quadro do ajustamento do período transitório dos rácios de capital e devido ao impacto do IFRS 9”, em comunicado enviado à CMVM.

Com mais 1,15 mil milhões solicitados, o valor das compensações relativamente a 2017 e 2018 totaliza 1,9 mil milhões de euros. O montante máximo do mecanismo de capital contingente é de 3,89 mil milhões.

Com legado separado, atividade recorrente melhora

O Novo Banco apresentou, este ano pela primeira vez, os resultados com uma separação entre Novo Banco Recorrente (que inclui toda a atividade bancária core) e Novo Banco Legacy (que engloba créditos sobre clientes, outros créditos, títulos, imóveis e operações descontinuadas considerados). Este último vai ser liderado por Jorge Cardoso.

“O Novo Banco considera que a separação entre o Novo Banco Recorrente e Novo Banco Legacy permitirá aos clientes e outros stakeholders uma melhor compreensão sobre o processo de reestruturação do banco em curso”, refere o comunicado.

As operações de reestruturação, que estão relacionadas com o recurso ao mecanismo, afetaram maioritariamente o legacy, o que justifica a separação. Antes de impostos, o resultado líquido deste segmento foi positivo em 2,2 milhões de euros, o que reflete “uma recuperação face às perdas de 311,4 milhões de euros apresentadas em 2017”, refere.

O produto bancário cresceu 19,1% para 720,1 milhões de euros, sendo que o produto bancário do segmento comercial aumentou 15,6% para 696,4 milhões de euros. Os resultados financeiros cresceram 36,6%, graças à redução do custo dos recursos. Os custos operacionais caíram 11,3%, em parte devido a uma redução no número de balcões e de trabalhadores.

(Notícia atualizada às 18h00 com mais informação)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Novo Banco com prejuízos de 1.412 milhões. Pede 1.149 milhões ao Fundo de Resolução

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião