Banca duvida do valor das injeções pedidas pelo Novo Banco

  • ECO
  • 7 Março 2019

Com as injeções de capital do Fundo de Resolução a chegar aos dois mil milhões de euros, os bancos portugueses começam a duvidar da necessidade das mesmas.

Os bancos portugueses, cujas contribuições alimentam o Fundo de Resolução, que tem vindo a ser chamado a injetar dinheiro de forma regular e sequencial no Novo Banco, começam a desconfiar da verdadeira necessidade dessas verbas por parte da instituição que agora pertence ao Lone Star, avança o Público esta quinta-feira (acesso condicionado). A banca nacional receia que esteja a ser feita uma “brutal” transferência de verbas do Estado para as empresas de recuperação de créditos que negoceiam com o Novo Banco, tendo em conta que as necessidades de capital, ainda que dentro do previsto, estão a corresponder às piores expectativas.

A preocupar os bancos, que são chamados a injetar agora mais 1.149 milhões de euros através do Fundo de Resolução, está também o facto de as explicações para as necessidades de capital não serem comunicadas com clareza.

Apesar da atuação de António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, estar dentro do programa negociado pelo Governo, a dúvida subsiste se o objetivo é limpar o banco o mais depressa possível para depois o Lone Star poder vender o Novo Banco. Além disso, num momento em que a economia nacional está a recuperar, Caixa, BCP, Totta e BPI têm vindo a reduzir as suas imparidades, o Novo Banco segue na direção oposta com um agravamento das mesmas, que geram perdas que têm de ser cobertas pelo Fundo de Resolução. O BCP já recorreu à justiça europeia para tentar travar o funcionamento o mecanismo de capital contingente.

Em entrevista à RTP Mário Centeno foi questionado se tinha ficado surpreendido com os constantes pedido de injeção de dinheiro do Novo Banco, tendo em conta que já gastou quase metade do capital contingente acordado para um espaço de oito anos. O ministro das Finanças garante que não foi foi surpreendido porque as perdas assumidas pelo Novo Banco estão dentro do limite definido no mecanismo de capital contingente.

Ainda assim, as Finanças em conjunto com o Fundo de resolução pediram uma auditoria ao ovo Banco, focada nas decisões tomadas no BES e os ativos tóxicos que passaram do BES para o Novo Banco. “Precisamos de saber qual foi a forma de originar aqueles créditos”, disse Mário Centeno.

Uma auditoria que à qual os partidos à direita não se opõem, mas que o PCP considera que “serve para desviar as atenções do Governo”. Na opinião do eurodeputado João Ferreira, os portugueses “têm razões para se sentirem enganados” por Mário Centeno, por este Executivo e pelo Governo anterior” por causa da venda do Novo Banco.

“Todos os portugueses têm razões para se sentirem enganados não apenas por Mário Centeno, por este Governo, mas também pelo Governo anterior”, frisou em entrevista conjunta ao Público e à Rádio Renascença. João Ferreira defende que o Governo de António Costa devia ter posto em causa a decisão tomada pelo Executivo de Passos Coelho.

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