Previsões do BCE arrasam banca europeia. BCP afunda mais de 5%

Os títulos da banca europeia sofreram fortes quedas, após o BCE ter revisto em baixa as estimativas de crescimento para a Zona Euro. Setor caiu 3%, enquanto o BCP derrapou mais de 5% na bolsa Lisboa.

Os mercados não receberam da melhor forma o resultado da reunião do BCE desta quinta-feira. As ações europeias fecharam no vermelho, com a banca a destacar-se pela negativa, apesar de o setor ter sido brindado com mais ajuda da entidade liderada por Mario Draghi. Os principais índices bolsistas europeus, incluindo o português, recuaram perto de 1%, com a banca da Zona Euro a derrapar mais de 3%. Em Lisboa, o BCP também tombou mais de 5%. Euro também perdia fôlego, enquanto os juros da dívida eram os únicos a aliviar. A taxa de juro nacional a dez anos atingiu um novo mínimo histórico de 1,35%.

O conselho de governadores dos bancos centrais da Zona Euro decidiu manter inalterada a taxa de juro de referência para a Zona Euro em mínimos históricos, estendendo ainda do verão para pelo menos até ao final do ano a manutenção dos juros nesse nível.

Mas a entidade liderada por Mario Draghi também anunciou uma espécie de “brinde” para a banca europeia ao decidir avançar com novos estímulos à economia através dos bancos. Comunicou que vai começar em setembro de 2019, com prazo de conclusão previsto em março de 2021, com uma terceira série de operações de refinanciamento de prazo alargado — TLTRO-III –, com maturidade de dois anos.

O que à partida poderia ser um sinal positivo para a banca já que facilita o financiamento à economia não foi suficiente para apagar a má notícia: o PIB da Zona Euro vai crescer bem menos que o antecipado. O BCE cortou as previsões para 2019 e 2020, sendo que para este ano vê agora a economia da região a crescer apenas 1,1% contra os 1,7% anteriores.

Esta visão menos positiva levou as ações da banca a mergulharem, intensificando as perdas que os principais índices bolsistas europeus já vinham a apresentar na sessão desta quinta-feira.

O Stoxx 600 desvalorizou 0,6%, em linha com as perdas de 0,7% do Dax alemão, de 0,4% do francês CAC e de 0,4% do espanhol Ibex. Em Lisboa, as perdas foram similares, com o PSI-20 a recuar 1,09%, para fechar nos 5.239,81 pontos.

BCP com pior sessão em dez meses

A banca da Zona Euro recuou 3,4%, com as perdas de alguns títulos a chegarem aos 8%. Em Lisboa, o BCP acompanhou esse sentimento. As ações do banco liderado por Miguel Maya tombaram 5,12%, para os 23,33 cêntimos, encabeçando as perdas do índice de referência da bolsa nacional. Foi a maior queda desde maio de 2018.

“Os anúncios de hoje têm algum sabor a pânico, uma vez que o cenário base do BCE ainda antevê uma recuperação gradual e as previsões para 2020 e 2021 foram revistas fortemente em baixa”, referiu o ING numa nota divulgada nesta quinta-feira já após o anúncio do BCE.

Também o euro não reagiu bem aos dados da economia e à extensão do prazo para uma eventual decisão de subir os juros na Europa. Perdia 0,73%, para os 1,1219 dólares, estando assim a ser transacionado em mínimos de novembro.

Já no mercado da dívida o sentimento era de alívio, com as yields soberanas europeias a recuarem de forma transversal. No caso dos juros portugueses a dez anos recuavam para os 1,35%, o nível mais baixo de sempre. No caso dos juros espanhóis, o sentimento era semelhante com a taxa a dez anos a baixar para mínimos de outubro de 2016. Já os juros italianos para o mesmo prazo aliviavam para a fasquia mais baixa desde meados de 2018.

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