Previsões do BCE atiram Wall Street para quarta sessão de quedas

O pessimismo do BCE em torno da evolução da economia global está a penalizar o desempenho das principais bolsas norte-americanas, que acumulam a quarta sessão de quedas.

As principais bolsas norte-americanas voltaram a abrir em queda na sessão desta quinta-feira, acumulando já a quarta sessão consecutiva de perdas. Desta vez, os investidores estão a reagir às novidades vindas do Banco Central Europeu (BCE), que reviu em baixa as previsões para o crescimento da economia da Zona Euro, razão pela qual decidiu avançar com uma nova ronda de financiamento aos bancos. Agravam-se, assim, os receios em torno de um abrandamento da economia mundial.

O índice de referência S&P 500 está a cair 0,8%, para os 2.749,81 pontos. O tecnológico Nasdaq e o industrial Dow Jones registam quebras mais expressivas, ao desvalorizarem ambos em torno de 0,9%.

Este movimento acontece depois das declarações de Mario Draghi, no seguimento da reunião de política monetária. O presidente do BCE antecipou que o banco central deverá manter as taxas de juro de referência da Zona Euro “pelo menos” até ao final do ano e anunciou uma nova ronda de financiamento aos bancos. Aquela que será já a terceira série de operações de refinanciamento de prazo alargado arranca em setembro deste ano e deverá prolongar-se até março de 2021.

Ao mesmo tempo, o presidente do BCE demonstrou preocupação com as tensões geopolíticas, num período marcado pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, bem como com os efeitos do Brexit, dois eventos que levaram o banco central a rever a previsão de crescimento da economia da Zona Euro de 1,7% para 1,1% este ano — e que deixam também a Reserva Federal norte-americana cautelosa quanto desenvolvimento da economia americana. Já a inflação no bloco do euro deverá crescer 1,2%, abaixo dos 1,6% previstos em dezembro pelo BCE.

Os investidores norte-americanos mantêm-se, ao mesmo tempo, atentos aos desenvolvimentos das relações comerciais com a China, depois de Donald Trump ter dito, na quarta-feira, que as negociações estão a evoluir.

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