Powell antecipa economia “sólida” nos EUA e impacto “modesto” do shutdown

Em audição no Senado, o presidente da Fed mostrou-se mais otimista quanto ao crescimento económico norte-americano. O banco central vai começar a debater fim da normalização da folha de balanço.

O presidente da Reserva Federal norte-americana voltou a mostrar-se mais otimista quanto ao crescimento económico nos EUA, depois de na última reunião de política monetária ter invertido o discurso. Jerome Powell está, esta terça-feira, no Senado para a audição bianual, onde afirmou esperar que uma economia “sólida”, com um impacto “modesto” do shutdown governamental no país.

“Estimamos que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça um pouco menos que os 3% do ano passado, que se seguiu a uma subida de 2,5% em 2017”, afirmou Powell no discurso inicial. Apesar de lembrar que “alguns dados abrandaram recentemente”, o presidente da Fed disse estimar “que a atividade económica expanda a um ritmo sólido, apesar de um pouco mais lento que em 2018, e que o mercado de trabalho se mantenha robusto”.

A desaceleração da economia dos EUA e o aumento dos riscos levaram a Fed, na última reunião de política monetária, a uma importante mudança de discurso. Na altura, Jerome Powell afirmou que o banco central iria tomar uma abordagem “paciente” na avaliação de novas alterações à taxa de juro de referência e da diminuição da folha de balanço (com a eliminação de ativos que foram adquiridos durante a crise como estímulo à economia).

A par da debilidade económica internacional e da guerra comercial, um dos fatores internos que causada maior incerteza era o shutdown governamental, que durou 35 dias e acabou por ser o maior na história do país. “Embora a paralisação parcial do Governo tenha criado dificuldades significativas para os funcionários e muitos outros, espera-se que os efeitos negativos para a economia sejam bastante modestos e que desvaneçam em grande parte nos próximos meses”, afirmou Powell, esta terça-feira.

Fed vai começar a avaliar fim da normalização do balanço

Esta é a primeira audição bianual de Powell desde que os democratas ganharam o controlo da Casa de Representantes do Senado norte-americano, em novembro, e irá acontecer esta terça e quarta-feira. É também a primeira audição desde a mudança no curso da Fed, que subiu as taxas de juro de referência quatro vezes em 2018. As estimativas do banco central continuam a apontar para aumentos também este ano, mas o mercado começou a apostar num período de pausa depois da última reunião.

Simultaneamente, a Fed tem também conduzido uma redução da folha de balanço. Desde o pico de 2014, o banco central já diminuiu a quantidade de ativos que detém em mais de 40% (equivalente a cerca de 1,2 biliões de dólares) para os atuais quatro biliões de dólares. Uma das questões que tem sido debatida pelo mercado prende-se com o momento e a forma como a Fed irá terminar esta estratégia.

“À luz do progresso substancial que fizemos na redução das reservas, e após extensivas deliberações, o Comité decidiu na reunião de janeiro continuar a longo prazo a implementação das atuais operações em curso”, afirmou Powell. “Tendo tomado esta decisão, o Comité poderá agora avaliar o momento apropriado e a abordagem para o final da redução do balanço. Gostaria de sublinhar que estamos preparados para ajustar qualquer detalhe para completar a normalização do balanço à luz da evolução económica e financeira”.

A estimativa dos analistas é que a Fed mantenha um balanço com ativos no valor de cerca de um bilião de dólares. Questionado por um dos senadores sobre o assunto, Powell lembrou que o montante será determinado pela procura e que será “substancialmente mais elevado” que no período antes da crise. “Ainda não temos uma noção precisa, mas cerca de um bilião de dólares mais uma almofada parece razoável”, acrescentou.

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