Dia Internacional da Mulher: do “Dream crazy” da Nike ao “anti-bitchiness” da Parfois

Podem as marcas ter um papel mais direto ou ajudarem as mulheres a definir o sentido de feminismo? Susana Albuquerque, diretora criativa da Uzina, explica.

“Is feminism fit for the future?”. A pergunta é feita pelo Future Laboratory num artigo recente que parece, ele próprio, fazer o fit com o Dia Internacional da Mulher.

Podem as marcas ter um papel mais direto ou ajudar as mulheres a definir o sentido de feminismo? Num mundo em que, segundo o mesmo artigo, muitas mulheres estão de acordo que é difícil perceber o que significa ser feminista, haverá apenas um significado? Um sentido?

Lançamos a reflexão a Susana Albuquerque, mulher, diretora criativa da Uzina e presidente do Clube de Criativos.

“Faço parte de uma geração que cresceu com a ideia de que o feminismo era uma palavra que definia as sufragistas do final do século XIX, ou então era sinónimo da luta pela libertação sexual dos anos 60 e da queima dos sutiãs. Felizmente, as minhas filhas, que agora têm 14 anos, farão parte de uma geração diferente. Se tudo correr bem, a geração delas associará o feminismo a um movimento global de luta pela igualdade de direitos das mulheres, e contra a discriminação de género“, começa por dizer.

A razão, assegura, está muito relacionada com iniciativas que têm surgido nos últimos anos. “Devemo-lo a movimentos como o Time’s up e o #metoo mas creio que, graças a eles, se irá formando uma consciência mais alargada e uma maior vigilância, um maior sentido crítico em relação ao papel da mulher nas diferentes sociedades, seja lutando pelo direito à escolaridade ou contra a violência doméstica, seja lutando pela igualdade de salários e oportunidades laborais”.

Mas podem as marcas ajudar-nos a ter uma visão sobre o que vem a seguir?

“Creio que, nos últimos tempos, todos nos demos conta de que ainda há muito por fazer. Em paralelo, e como a escolha de uma marca também é, para quem compra, uma forma de participação social e política, muitas marcas tomarão a sua posição. Aliás, as próprias marcas podem ajudar a mudar consciências, ao serem capazes de verbalizar e amplificar, em diferentes setores, o significado dessa desigualdade e dessa discriminação, tornando-as menos escondidas, seja a desigualdade de salários, o papel social da mulher, ou até a forma como ela aparece na publicidade”.

As próprias marcas podem ajudar a mudar consciências, ao serem capazes de verbalizar e amplificar, em diferentes setores, o significado dessa desigualdade e dessa discriminação.

A última campanha da Nike, “Dream crazy”, que conta com a locução da tenista Serena Williams, é um bom exemplo disso, diz Susana Albuquerque.

“Começa bem. “If we show emotion, we’re called dramatic.” Se uma mulher que levanta a voz é uma histérica, uma louca, então mostremos o que significa essa loucura. Parte de uma grande verdade, a pressão social que existe no feminino, e é muito relevante para falar de superação”.

A campanha brasileira da SKOL é outro exemplo apontado pela criativa. “A marca faz um mea culpa do seu passado machista e pede a seis ilustradoras para refazerem os seus posters de cerveja onde, adivinhem, a mulher está quase sempre em biquíni e a servir cerveja, nunca a bebê-la”.

“Também gostava de falar de um caso que me é próximo: para o 8 de Março deste ano, na Uzina, desenvolvemos a campanha Girls just want everything they want, juntamente com a Parfois, para celebrar o feminismo numa nova ótica: combatendo o estereotipo da “bitchiness” e celebrando a entreajuda entre mulheres. Desenvolvemos um pack de duas bolsas que se vendem juntas, e convidamos a mulher que compra a oferecer a segunda bolsa a outra mulher que ela admire e queira incentivar”, explica Susana Albuquerque.

E, por fim, a campanha que viu esta semana assinada por publicitários catalães, “que nos convida a agradecer às feministas por serem feministas. Por tudo isso que agora damos como adquirido, e que em tempos foi a luta de alguém, obrigada” conclui.

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António Costa

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