Lucro da EDP cai 53% para 519 milhões de euros. Dividendo mantém-se nos 19 cêntimos

Os negócios de renováveis e brasileiro atingiram resultados recorde. No entanto, a atividade em Portugal registou prejuízos pela primeira vez desde a privatização devido a custos regulatórios.

Os lucros da EDP caíram para 519 milhões de euros em 2018, menos 53% que no ano anterior. A contribuir para a quebra nos resultados esteve a atividade em Portugal, que registou prejuízo pela primeira vez em mais de duas décadas devido a custos regulatórios (excluindo a EDP Renováveis). Em sentido contrário, os lucros recorde da EDP Brasil e da Renováveis travaram uma queda maior.

“O resultado líquido reportado sofreu uma queda de 53%, essencialmente influenciado pelo impacto adverso de medidas regulatórias em Portugal, nomeadamente relacionadas com a provisão de 285 milhões de euros, por força de alegadas sobrecompensações dos CMEC“, explicou o relatório enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A EDP já tinha avisado para o impacto da revisão dos custos de manutenção do equilíbrio contratual (CMEC) nas contas. Em agosto do ano passado, o então secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, quantificou em 285 milhões de euros a alegada sobrecompensação da EDP quanto ao cálculo dos CMEC. O despacho prevê ainda a possibilidade de serem exigidos à EDP até 72,9 milhões de euros, relativos a uma alegada sobrecompensação das centrais a operar em regime de CMEC.

EBITDA não recorrente acima dos 3 mil milhões

Além dos CMEC, houve outros gastos regulatórios, incluindo 65 milhões de euros para a Contribuição Extraordinária sobre a Energia (CESE) que a EDP voltou a pagar após ter chegado a acordo com o Governo. A comparação homóloga dos resultados foi ainda influenciada pelo ganho extraordinário com a venda do negócio de distribuição de gás em Espanha, em 2017.

O grupo alerta, por isso, que os resultados da EDP tanto de 2017 como de 2018 foram “materialmente afetados por fatores não recorrentes”. Excluindo todos os efeitos não recorrentes, o lucro teria subido 3% em termos homólogos, para 797 milhões de euros, “uma vez que o crescimento na EDP Brasil e a melhoria de mercado na Península Ibérica foram compensados por alterações regulatórias em Portugal, anunciadas no quarto trimestre de 2017, e por uma eolicidade particularmente fraca”.

A estimativa média dos 17 analistas (dos quais apenas dois incluem o impacto da provisão não recorrente dos CMEC) que seguem a EDP era que o resultado líquido tivesse caído para 748 milhões de euros. Os mesmos analistas apontavam para um EBITDA — lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — de 3.414 milhões de euros.

De acordo com os dados enviados à CMVM, o EBITDA recuou 5% para 3.317 milhões de euros. Excluindo estes efeitos não recorrentes, o EBITDA recorrente caiu 3% em termos homólogos, para 3.287 milhões de euros.

Desde a privatização que Portugal não dava prejuízo

O negócio da EDP em Portugal (excluindo a EDP Renováveis) registou um prejuízo de 18 milhões de euros, em 2018, contra o lucro de 169 milhões de euros no ano anterior. Foi a primeira vez desde o início da privatização da empresa, em 1997, que a atividade no país teve resultados negativos. Os custos operacionais na Península Ibérica caíram 3%.

Em sentido contrário, tanto a EDP Brasil como a EDP Renováveis registaram lucros recorde em 2018. No caso do negócio brasileiro, o resultado aumentou 108% para 1,3 mil milhões de reais (equivalente a 306,7 milhões de euros). Já no das renováveis, cresceu 14% para 313 milhões de euros.

As atividades no estrangeiros também ajudaram a reduzir a dívida em 400 milhões de euros. A dívida líquida do grupo diminuiu 3% para 13,5 mil milhões de euros, “com aumento de fluxos de caixa das operações internacionais e da venda de défice tarifário em Portugal”. O custo médio caiu para 3,8%, face aos 4,1% de 2017.

Apesar da quebra nos resultados do grupo, os acionistas deverão receber uma remuneração igual à do ano anterior. “O Conselho de administração executivo decidiu propor um dividendo relativo ao exercício de 2018 de 19 cêntimos de euro por ação, valor em linha com o montante de dividendo mínimo da atual política de dividendos. Esta proposta está sujeita a aprovação em Assembleia Geral de Acionistas, com data prevista para 24 de abril de 2019”, acrescentou.

Desinvestimento em Portugal e reforço nas renováveis já começaram

Após a apresentação de resultados, o foco dos investidores passa agora para o plano estratégico até 2022 que será apresentado a investidores e jornalista, por António Mexia esta terça-feira em Londres. Os detalhes do plano vão ser alinhados até ao último momento, pelos órgãos sociais da EDP, Conselho de Administração Executivo (CAE) e Conselho Geral de Supervisão (CGS), que se reuniu ainda esta segunda-feira.

Mas já um parâmetro conhecido: após a notícia do ECO Insider (acesso condicionado a assinantes) que a elétrica deverá anunciar sete mil milhões de euros para apostar nas renováveis, a empresa confirmou que “a proposta que o CAE submeterá ao CGS contempla, em termos genéricos, quer um reforço do investimento quer um plano de alienação de ativos”.

E esta estratégia parece já ter começado. Os resultados indicam ainda que o investimento aumentou 18%, em 2018 face ao ano anterior, para 2 mil milhões de euros. “O investimento concentrou-se principalmente em renováveis, com foco nos Estados Unidos, bem como no negócio de transmissão, no Brasil”.

A capacidade instalada total do grupo EDP atingiu 27,2 gigawatts (GW) em dezembro de 2018, 74% dos quais em energias renováveis, “em resultado do comissionamento e 825 MW de nova capacidade eólica, aliado à venda de uma posição maioritária em parques eólicos e à venda de centrais mini-hídricas em Portugal e no Brasil”. Na produção total, o peso de renováveis aumentou 10 pontos percentuais em termos homólogos, para 66% em 2018. O portfólio de contratos com clientes manteve-se estável em 11,4 milhões, distribuídos entre a Península Ibérica e Brasil.

(Notícia atualização às 19h55)

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