Portugal emite 1,5 mil milhões de euros com juros mais negativos

IGCP voltou ao mercado para colocar bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses. Emissão acontece numa altura em que Portugal tem beneficiado de uma redução das yields da dívida.

Portugal voltou a financiar-se a curto prazo com juros negativos. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP emitiu 1,5 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses, num leilão duplo realizado esta quarta-feira. Em ambos os prazos, conseguiu taxas negativas e, no caso dos títulos com prazo mais longo, foi ainda mais baixa que no último leilão.

No caso das BT a 12 meses, foram colocados 1.100 milhões de euros, com uma taxa de juro de -0,366%. O valor compara com os -0,363% conseguidos pelo país no último leilão comparável, realizado a 16 de janeiro, e aproxima-se dos mínimos históricos conseguidos há um ano: -0,389%.

Já nas BT a seis meses, o IGCP emitiu 400 milhões de euros, a uma taxa de -0,393%, ligeiramente menos negativa que os -0,399% da última colocação.

Os investidores mostraram também maior apetite pela dívida portuguesa a curto prazo. A procura superou a oferta em 2,14 vezes nos títulos a 12 meses, em comparação com as 1,82 vezes da emissão anterior. Na dívida a seis meses, a procura foi 2,31 vezes superior à oferta, face às anteriores duas vezes.

“Foi mais um leilão com sucesso para o IGCP, que continua a beneficiar do ambiente de taxas de juro negativas que vivemos na Europa”, afirmou Filipe Silve, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “Estas taxas historicamente baixas foram também suportadas pela subida de rating feita pela Standard and Poor’s na semana passada. Estes leilões de dívida de curto prazo continuam a contribuir para a redução do custo do serviço de dívida que o país tem”.

A emissão acontece numa altura de quebra nos juros pagos por Portugal. Nos leilões de BT, Portugal tem conseguido sempre juros negativos em novas emissões e nas Obrigações do Tesouro a 10 anos nunca se financiou a um custo tão baixo, em linha com a performance em mercado secundário. A yield da dívida portuguesa a 10 anos negoceia esta quarta-feira em 1,31%, após ter tocado o mínimo histórico de 1,26% esta semana.

Além de fatores externos, como a política monetária expansionista do Banco Central Europeu, um dos principais fatores apontados para a descida nos juros é a subida no rating da República. Na passada sexta-feira, foi a Standard and Poor’s a fazer um upgrade a Portugal e o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse à Lusa que o Estado já poupou 1.270 milhões de euros com as emissões de dívida desde setembro de 2017, altura em que o país voltou a ter uma notação de investimento.

Esta será a última colocação de BT no primeiro trimestre do ano. Segundo o IGCP, o montante das necessidades de financiamento líquidas do Estado para todo o ano de 2019 deverá situar-se em cerca de 8,6 mil milhões de euros. Destes, quatro mil milhões foram logo na primeira colocação, através de dívida sindicada.

(Notícia atualizada às 16h)

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