Centeno: “Não foi preciso um milagre” para estabilizar as contas públicas

Mário Centeno enaltece o défice de 0,5% do PIB, em 2018. Diz que este Governo "não precisou de um milagre" para estabilizar as contas públicas.

Portugal fechou o ano passado com um défice de 0,5%. É um resultado histórico. Mário Centeno, ministro das Finanças do Governo de António Costa, enaltece o feito, mas diz que “não foi preciso um milagre” para estabilizar as contas públicas.

“Não tenhamos dúvidas, não foi preciso um milagre, nem era aritmeticamente impossível alcançar estes resultados”, sublinhou o governante. Esta manhã, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) revelou que o défice fechou o ano passado em 0,5% do PIB, tendo ficado duas décimas abaixo das expectativas do Governo e em linha com o valor antecipado pelo Conselho de Finanças Públicas.

Por outro lado, questionado sobre o reflexo de uma eventual revisão em baixa das projeções do crescimento económico na meta do défice para este ano, Mário Centeno explicou: “O crescimento económico em 2019 está a sofrer de uma desaceleração [a nível] mundial, que está a ser mais prolongada do que aquilo que se esperava no verão de 2018”.

O ministro das Finanças adiantou que o Executivo português espera que a incerteza relacionada, por exemplo, com a guerra comercial e com o Brexit “se vá resolvendo”, puxando pela economia global. Por isso, Centeno reforçou que “há alguma expectativa” que essa situação de abrandamento “não se prolongue durante muito tempo”.

“Estes resultados estão inteiramente adequados à evolução da economia. A evolução do saldo orçamental não se impõe à realidade económica; Eles estão mutuamente conectados“, notou, por outro lado, o governante.

Já sobre o eventual impacto da injeção de capital pedida pelo Novo Banco nas contas nacionais, o responsável pela pasta das Finanças garantiu que tal “não interage com a Execução orçamental”.

A sete meses das eleições legislativas, Mário Centeno salientou ainda: “Não podemos prometer o que não podemos cumprir, não o fizemos em 2015, não o faremos hoje”. O ministro fez também questão de reforçar esta é a primeira vez na História da democracia portuguesa que, pela terceira vez consecutiva, se alcança os compromissos orçamentais. “Portugal ganhou a aposta da credibilidade. Mostramos à Europa que havia uma alternativa”, frisou o ministro.

“A política seguida permitiu virar diversas páginas, as mais importantes foram as das dúvidas e dos medos”, rematou Centeno.

(Notícia atualizada às 14h15).

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