BCE impulsiona bancos europeus. BCP dispara 3,8%

Draghi sinalizou que a terceira série de financiamento de baixo custo à banca poderá ter condições mais favoráveis se a economia ceder. Os bancos europeus celebraram as declarações.

A banca liderou os ganhos entre as cotadas europeias na sessão desta quarta-feira em bolsa. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que a terceira série de financiamento de baixo custo à banca poderá ter condições mais favoráveis se a economia da Zona Euro ceder e impulsionou as ações dos bancos. Em Lisboa, o BCP não foi exceção, tendo valorizado 3,81% para 0,229 euros por ação.

O BCE vai iniciar, em setembro, uma nova ronda de operações de refinanciamento de prazo alargado — TLTRO III — para estimular a economia. O programa de TLTRO era esperado pelo mercado, mas houve desilusão porque o prazo será mais curto que nas anteriores duas séries (cai para dois anos, de três) e o juro será variável. Esta quarta-feira, Mario Draghi garantiu que pretende “preservar as condições favoráveis de financiamento dos bancos e manter uma transmissão eficiente da política monetária através da banca”.

“As nossas decisões garantem que a orientação da política mantém-se acomodatícia face ao outlook de crescimento mais fraco. E o ajustamento dos restantes parâmetros do TLTRO III irão refletir a evolução das condições macroeconómicas“, sublinhou Draghi, no discurso de abertura da conferência The ECB and Its Watchers XX, em Frankfurt.

Juro das Bunds caminha para mínimos recorde

O índice pan-europeu da banca Stoxx Banks ganhou 0,66%, enquanto o índice das 600 maiores empresas europeias subiu apenas 0,01%. O espanhol IBEX 35 subiu 0,52% e o italiano FTSE MIB avançou 0,26%. Em Lisboa, o PSI-20 ganhou 0,46% para 5.161,58 pontos.

Além do BCP, a Pharol também se destacou, com um ganho de 2,25% para 0,19 euros por ação, em reação ao anúncio dos lucros de cinco mil milhões de euros da brasileira Oi em 2018. A Sonae avançou 1,85%, a Galp ganhou 0,75% e a EDP subiu 0,43%. A travar os ganhos estiveram os CTT, que caíram 1,47%, a Jerónimo Martins, que perdeu 1,45% e a EDP Renováveis, que cedeu 0,36%.

O sentimento positivo não foi generalizado as todas as bolsas europeias. O alemão DAX perdeu 0,05% e o francês CAC 40 cedeu 0,12%, numa altura em que se prolongou a fuga dos investidores para dívida. “Têm havido movimentos notáveis no fixed income e poderão ser as expetativas de que, em ambos os lados do Atlântico, a política monetária irá manter-se facilitista que estão a atirar as yields para baixo“, afirmou o head of rates strategy do Rabobank, Richard Maguire, em declarações à Reuters.

A yield das Bunds alemãs a 10 anos continua em terreno negativo, tendo chegado a tocar um mínimo intraday de -0,094%, a apenas 12 pontos base dos mínimos de sempre atingidos em 2016. Em Portugal, o juro da dívida benchmark perde 3,7 pontos para 1,255%, no dia em que o Tesouro realizou uma troca de 619 milhões de euros em dívida para adiar o reembolso em 11 anos.

(Notícia atualizada às 17h)

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