Bancos portugueses têm exposição de seis mil milhões de euros a offshores

Os bancos portugueses detinham 77,9 mil milhões de euros de ativos financeiros internacionais, no final de 2018. Mais de 70% localizados na Europa e quase 8% em offshores, segundo o Banco de Portugal

A exposição da banca nacional a ativos financeiros internacionais aumentou para 77,9 mil milhões de euros, em 2018, mostram dados do Banco de Portugal. Grande parte desse crescimento resultou do aumento dos ativos detidos dentro da União Europeia. Movimento contrário verificou-se nas posições detidas pelos bancos nacionais respeitantes a ativos localizados em offshores. Ainda assim, estas ascendiam a quase seis mil milhões de euros no final do ano passado.

“Na ótica do risco de última instância, no final de 2018, os bancos portugueses detinham 77,9 mil milhões de euros de ativos financeiros internacionais, dos quais cerca de 71% localizavam-se na União Europeia“, refere uma nota de informação estatística divulgada nesta segunda-feira pelo regulador, que salienta que “em comparação com o ano anterior verificou-se um acréscimo de 0,6 mil milhões de euros. Esse acréscimo colocou o saldo global na fasquia mais elevada dos últimos dois anos.

Em causa está uma das formas de medição da representatividade dos ativos internacionais nos bancos com sede em Portugal: a exposição dos bancos aos mercados onde está sediada a contraparte de determinado negócio, mas em que há um terceiro interveniente que substitui a contraparte como garante do compromisso.

Neste medição, a maior parte da exposição corresponde a países da União Europeia que, no ano passado, aumentaram em quase 2,3 mil milhões, para se fixarem nos 55,6 mil milhões de euros. A região passou assim a representar 71,4% dos ativos financeiros internacionais detidos pela banca nacional, um máximo do histórico do Banco de Portugal que arranca em 2004.

Movimento oposto foi constatado na exposição da banca nacional a ativos financeiros dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), mas também a offshores.

Após uma quebra de 44% em 2017, os PALOP voltaram a ver a sua representatividade baixar em 2018 na carteira dos bancos portugueses. No final do ano passado, os ativos financeiros internacionais associados aqueles países totalizavam 7,3 mil milhões de euros, uma quebra de 626 milhões de euros comparativamente ao período homólogo e que coloca a exposição da banca nacional àqueles países na fasquia mais baixa desde 2007 e com um peso de 9,4% dos ativos totais.

No caso dos offshores, também foi observada uma diminuição da exposição tanto em termos absolutos como de peso. No final de 2018, a banca nacional viu a sua exposição a “paraísos fiscais” cair em 103 milhões de euros, para o valor mais baixo desde 2015, em termos homólogos. Mas que ainda assim assim ascendem a quase seis mil milhões de euros.

Esse valor corresponde a 7,65% do total de ativos financeiros internacionais a que a banca nacional se encontrava exposta no final do ano passado. Valor que ainda assim é o mais baixo dos últimos dois anos e que compara com um peso que chegou a ultrapassar os 10% em 2005.

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