Costa Pinto: “É inconcebível que um banco público entre em operações especulativas”

Antigo presidente do conselho de auditoria do BdP diz que não se recorda de discussões no conselho de administração sobre problemas com créditos, entre 2014 e 2018.

João Costa Pinto, antigo presidente do conselho de auditoria do Banco de Portugal (BdP) entre 2014 e 2018, acusou a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de entrar em operações de natureza especulativa, em referência ao investimento em ações do BCP entre 2000 e 2013. Apesar de não estar no banco central nesse período, defendeu não ser compreensível que um banco público esteja envolvido neste tipo de operação.

“O que é necessário no caso da CGD é aquilo que nenhum governo fez, que é perceber para que é que serve um banco público e como é que pode impulsionar a economia. É para mim inconcebível que um banco público entre em operações de natureza especulativa“, afirmou Costa Pinto, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco. “Há operações na CGD que não entendo nem nunca entendi”.

O investimento feito pela CGD no BCP entre 2000 e 2013 gerou uma perda efetiva de 595 milhões de euros para o banco público, um prejuízo que foi apenas ligeiramente compensado pelo recebimento de 40 milhões de euros em dividendos neste período. Este foi o negócio mais ruinoso entre as operações de aquisição e alienação de ativos que constam da auditoria forense da EY aos atos de gestão da CGD.

Enquanto presidente do conselho de auditoria, Costa Pinto participava nas reuniões do conselho de administração do BdP, sem poderes executivos, deliberativos e sem participar nas decisões, mas acompanhando-as e intervindo se fosse caso disso, entre outubro de 2014 e maio de 2018.

Admitiu que houve várias ocasiões em que a CGD foi tema, mas nesse período não tem memória de terem sido levantados problemas sobre créditos. A EY concluiu que o banco público aprovou entre 2000 e 2015 vários dos créditos, nalguns casos contra os pareceres desfavoráveis da direção de risco, que vieram a revelar-se ruinosos. As perdas ascenderam a 1,2 mil milhões de euros.

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