Auditoria à Caixa faz a terceira vítima. Administrador do EuroBic demite-se

José Araújo e Silva apresentou a demissão há cerca de um mês do cargo de administrador do EuroBic. Era um dos nomes que estava sob eventual avaliação do Banco de Portugal por causa da auditoria à CGD.

A auditoria da EY à Caixa Geral de Depósitos (CGD) fez nova baixa na banca nacional. Depois de Norberto Rosa e de Pedro Cardoso, que estavam para ser nomeados para cargos no BCP e no Bison Bank e acabaram por desistir dos respetivos processos de registo quando o Banco de Portugal se preparava para chumbar os dois nomes, agora foi José Araújo e Silva, que até ao mês passado era administrador do EuroBic, a decidir afastar-se do cargo antes de qualquer decisão do supervisor, apurou o ECO.

José Araújo e Silva afastou-se da administração do EuroBic no mês passado.Relatório e contas EuroBic 2017

José Araújo e Silva foi gestor da CGD entre 2008 e 2011, era Fernando Faria de Oliveira presidente do banco público. Foi um dos períodos que a auditoria realizada pela EY identificou como sendo dos mais problemáticos para a CGD. José Araújo e Silva tinha então sob sua alçada vários pelouros no banco do Estado, alguns deles ligados à área do crédito, como o Financiamento Imobiliário, a Recuperação de Crédito e Crédito Especializado.

Desde 2016, passou desempenhar as funções de administrador no EuroBic, sendo responsável pela área de risco na equipa de gestão liderada pelo antigo ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos. Por causa da sua passagem na CGD, era um dos nomes cuja idoneidade estava a ser reavaliada pelo Banco de Portugal e, segundo o Observador, estava mesmo em risco iminente de ser chumbado pelo supervisor bancário.

Para evitar qualquer dissabor, antes que o Banco de Portugal tomasse qualquer decisão em relação ao seu caso, o gestor decidiu sair pelo seu próprio pé. E a renúncia foi formalizada já no último dia do mês passado, com o mandato (tal como da restante administração do EuroBic) já na reta final — apenas termina no final do ano.

O ECO contactou oficialmente o Eurobic, e a única reposta foi a de que Araújo e Silva saiu por sua iniciativa e que o banco não recebeu qualquer informação ou comunicação do Banco de Portugal em relação àquele administrador. E já é possível verificar que o nome de José Araújo e Silva não figura no site do EuroBic onde o banco revela os titulares dos seus órgãos sociais. José Araújo e Silva tinha a seu cargo vários pelouros desde o Compliance, Marketing e Comunicação, Análise de Risco e Controlo de Riscos.

Tal como Norberto Rosa e e Pedro Cardoso, outros dois nomes que sofreram com consequências por causa do relatório da EY aos atos de gestão da CGD entre 2000 e 2015, também José Araújo e Silva pertenceu ao conselho de administração quando este era presidido por Faria de Oliveira, entre 2008 e 2011.

Conselho de Administração da CGD em 2009: (Em Pé) Pedro Cardoso, Rodolfo Lavrador, Jorge Tomé e José de Araújo e Silva (Vogais), (Sentados) Francisco Bandeira (Vice­‑Presidente), Fernando Faria de Oliveira (Presidente) e Norberto Rosa (Vogal).Relatório e contas da CGD 2009

Mas há diferenças entre os casos de Norberto Rosa e de Pedro Cardoso e o caso de José Araújo e Silva. Enquanto os dois primeiros tinham de passar pelo chamado processo de fit & proper junto do Banco de Portugal para poderem exercer funções na banca (o primeiro como presidente da comissão de auditoria do BCP, o segundo como presidente do antigo Banif – Banco de Investimento, hoje em dia Bison Bank), José Araújo e Silva já tinha o registo do supervisor — obteve-o logo em 2016 para assumir o cargo na administração do EuroBic. Porém, nova informação e factos trazidos pela auditoria realizada pela EY mudaram a perspetiva do supervisor bancários em relação ao seu nome. O Expresso relatava há dois meses que o Banco de Portugal estava a olhar para sete antigos gestores da CGD em funções no setor para decidir se reavaliava a idoneidade à luz da auditoria.

José Araújo e Silva foi inclusivamente uma das personalidades ouvidas pela auditora EY no âmbito da auditoria aos atos de gestão à CGD entre 2000 e 2015. Mas, curiosamente, não foi chamado à Comissão Parlamentar de Inquérito da Caixa, que está em curso.

Outro dos nomes que está em risco de ver a sua idoneidade reprovada pelo Banco de Portugal é o de António Vila-Cova, presidente não-executivo do Banco Finantia, segundo o Observador. Segundo a página do banco, o seu nome ainda consta entre os atuais titulares dos órgãos sociais.

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