E vão dois. Sindicato Independente espera por resposta em “dois, três dias” ou também avança para greve

Há uma semana à espera por reunião com ANTRAM, Sindicato Independente promete avançar para greve se não chegar uma resposta. Culpam transportadoras por esmagar preços à custa dos salários.

O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) quer ter uma reunião com a ANTRAM — associação que representa as empresas de transporte de mercadorias — agendada nos próximos dois/três dias, caso contrário também partem para a luta. A garantia foi dada por Jorge Cordeiro, presidente do SIMM, em declarações ao ECO. Em causa a negociação de novas condições laborais para os motoristas de mercadorias. “Vamos esperar por dois ou três dias para ter uma data para nos sentarmos com a ANTRAM”, apontou Jorge Cordeiro.

A opção de puxar a hipótese de uma greve para cima da mesa surgiu depois do SIMM ter reunido em assembleia-geral há pouco mais de uma semana. “Esta foi a indicação que tivemos dos nossos associados, temos mesmo que a fazer. Recebemos muitas queixas dos nossos associados e não só. O setor está cada vez mais ao rubro, porque são as próprias empresas que fazem concorrência desleal entre elas próprias, a custo dos salários dos motoristas”, explicou.

Na sequência dos protestos dos motoristas de matérias perigosas, e do agendamento de reunião entre o sindicato destes e a ANTRAM, o SIMM entrou em contacto com a associação a solicitar ser incluída nas mesmas negociações, já que as reivindicações dos sindicatos são bastante similares.

“Enviámos um pedido de reunião dia 18, a que nos responderam dia 22, propondo uma reunião para esta segunda-feira, às 18h. Infelizmente, como todos trabalhamos, não conseguimos estar disponíveis e logo no dia 23 pedimos o reagendamento da reunião… mas até hoje não recebemos qualquer resposta”, detalha Jorge Cordeiro. E é uma resposta ao pedido de reagendamento que exigem agora. Até porque as negociações com o Sindicato dos Motoristas das Matérias Perigosas arrancaram esta segunda-feira, ainda que não da melhor forma, havendo já um novo encontro agendado para dia 7 de maio.

A ANTRAM encontra-se assim sobre pressão cada vez mais forte por parte dos representantes dos motoristas. Além desta promessa de endurecer da luta por parte do sindicato independente de motoristas, também esta segunda-feira os motoristas de matérias perigosas decidiram dar oito dias para ver a associação que representa os patrões a mudar de postura negocial, caso contrário também estes voltarão à greve.

À saída da reunião de esta segunda-feira com o SNMMP, a ANTRAM revelou que irá avançar para uma revisão ao acordo coletivo negociado recentemente, apontando igualmente que o sindicato independente iria ser chamado pela associação para participar no redesenho do mesmo.

Motoristas pagam o ‘dumping’

O SIMM foi o único sindicato de motoristas a recusar o contrato coletivo proposto pela ANTRAM na altura das negociações do mesmo. Ou antes, das supostas negociações, segundo a leitura dos responsáveis pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias. “Na altura, fomos chamados à mesa, mas não para debater o contrato, só para assinar um documento que já estava fechado”, explicou Jorge Cordeiro ao ECO.

Não tendo assinado o contrato coletivo, os cerca de 900 associados deste sindicato ficaram de fora do mesmo e, agora, sentem-se em terra de ninguém em termos de legislação laboral. “Ficámos num vazio legal, não existe qualquer contrato ou lei a que fiquemos abrangidos. Ficaríamos ao abrigo da lei geral, mas a especificidade da nossa profissão não permite ser enquadrado na mesma”, lembrando, por exemplo, que esta é uma profissão em que a norma é fazer mais do que as 177 horas de trabalho extra impostas como máximo pelo código laboral.

Esta foi a negociação que também levou à criação do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), depois de um conjunto de motoristas terem entendido não se sentirem representados por qualquer organização.

Segundo Jorge Cordeiro, o grande problema do setor do transporte de mercadorias está nas práticas concorrenciais das empresas de transporte, que assentam na oferta de custos cada vez mais baixos aos clientes. Mas não a custo das suas margens, antes dos salários que pagam. “São as próprias empresas que impõem concorrência desleal umas às outras e para baixar os preços, retiram benefícios aos trabalhadores”, denuncia.

O líder do SIMM apontou ainda que o contrato coletivo que entrou em vigor por acordo da ANTRAM tem criado os vários problemas que o sindicato antecipava, já que permite “várias possíveis interpretações a várias cláusulas”, apontando que, enquanto sindicato, têm acesso a vários recibos de vencimento que “demonstram de forma clara que não existem duas empresas a pagar da mesma forma. Então para que existe um contrato coletivo?”, concluiu.

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