Governo quer CTT com uma estação em cada concelho

  • ECO
  • 30 Abril 2019

O Governo revelou os seus planos para os correios. Contrato de concessão será renegociado na próxima legislatura.

A renegociação do contrato de concessão com os CTT deverá implicar a existência de uma estação de correios em cada concelho do país. A intenção foi revelada esta terça-feira pelo ministro das Infraestruturas e do Planeamento, embora o contrato de concessão dos CTT só termine no próximo ano. Segundo o regulador, podem existir 48 municípios sem um posto completo dos correios.

O Governo “não aceitará uma renegociação do contrato de concessão que não passe pela abertura de uma estação de correios em cada um dos concelhos do território nacional”, disse Pedro Nuno Santos, no Parlamento, citado pelo Observador.

A decisão sobre a renegociação do contrato de concessão dos correios será feita pelo Executivo que se formar a partir das eleições legislativas de 6 de outubro.

O Governo tem rejeitado a ideia partilhada pelos parceiros políticos à esquerda do PS de nacionalizar os correios, mas deixou sempre em aberto que poderiam existir alterações das condições no momento em que o contrato fosse renegociado, o que acontece em 2020.

Em janeiro deste ano, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, referiu-se às queixas da quarta maior exportadora nacional – a Continental – quanto ao fecho da estação dos correios onde despachava as encomendas e correspondência.

“Aquilo que temos visto — e é isso que essa carta da Continental assinala — é que o discurso de dizer fechamos a estação de correios mas prestamos por outra forma não é sempre verdadeiro. E portanto acho que essa é também uma questão de reflexão”, afirmou o governante no Parlamento.

Na mesma altura, a Anacom deu um prazo de 20 dias úteis para que a empresa apresente “uma proposta” para que todos os concelhos do país tenham “pelo menos uma estação de correios ou um posto de correios com características equivalentes às da estação”.

Segundo a entidade reguladora, o ano de 2018 terminou com 33 concelhos sem pelo menos uma estação de correio, quando, em 2017, eram apenas dois. Além disso, a Anacom garante que “é expectável que o número de concelhos sem estações de correio suba para 48 no curto prazo”, quando forem revelados os resultados da empresa relativos ao quarto trimestre.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo quer CTT com uma estação em cada concelho

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião