Lucros dos CTT não param de cair. No arranque do ano desceram 38%

A instituição liderada por Francisco de Lacerda viu os seus lucros ascenderem a 3,7 milhões de euros nos três primeiros meses do ano, menos 38% do que no período homólogo.

As contas dos CTT não param de piorar. A instituição liderada por Francisco de Lacerda viu os seus lucros ascenderem a 3,7 milhões de euros nos três primeiros meses do ano, menos 38% do que no período homólogo, revelou ao mercado nesta segunda-feira. “Queda significativa” do tráfego de correio endereçado penalizou as contas da empresa.

Os CTT registaram lucros de 3,7 milhões de euros nos três primeiros meses deste ano, uma redução de 37,7% (-2,2 milhões de euros) face aos 5,9 milhões reexpressos para o período homólogo. A instituição diz que o seu resultado foi “influenciado sobretudo pela performance do EBIT (-3,7 milhões de euros), não compensada pela evolução dos itens específicos (-0,8 milhões de euros), resultados financeiros (+0,3 milhões de euros) e imposto (-0,3 milhões de euros).

Os Correios dão conta ainda que o EBITDA (resultado antes de juros, impostos amortizações depreciações) seguiu a mesma tendência, tendo recuado 7,5% para 21 milhões de euros. “A redução é justificada pelo desempenho do Correio e Outros e do Expresso & Encomendas”, dá nota a empresa, salientando que o crescimento das áreas de negócio dos Serviços Financeiros (mais 2,5 milhões de euros) e do Banco CTT (mais 0,3 milhões de euros) não foi suficiente para compensar.

No geral, as receitas totais dos CTT estabilizaram nos 176,9 milhões de euros, valor semelhante ao do período homólogo. O crescimento das áreas de serviços financeiros (31,1%), do Banco CTT (18,9%) e do Expresso & Encomendas (2%) ajudaram a compensar a queda de mais de 3% do correio.

Os rendimentos operacionais provenientes do segmento de Correio e Outros decresceu 3,2% (-4,1 milhões de euros) devido à queda do tráfego de correio endereçado de -11,3%. Os CTT explicam que esta foi “fortemente impactada pelo adiamento de envios do Estado para o 2.º trimestre de 2019, situação que diz que também se verificará do 3.º para o 4.º trimestre, e pela perda de parte do tráfego de clientes na banca e seguros para a concorrência em finais de março de 2018″.

Já os rendimentos dos serviços financeiros ajudaram a compensar ao crescerem 31,1% para os 7,8 milhões de euros, nos três primeiros meses do ano, “em resultado da continuação da importante recuperação da colocação dos títulos de dívida pública iniciada em novembro de 2018.

Crescimento da margem e comissões ajudam Banco CTT

O Banco CTT apresentou um crescimento dos rendimentos de 18,9% para os nove milhões de euros, “sobretudo devido ao crescimento da margem financeira e das comissões recebidas“. No banco, destaca “a performance operacional que permitiu um crescimento significativo de contas abertas para 379 mil contas (+124 mil do que no 1.º Trimestre de 2018), a par com o robusto crescimento dos depósitos de clientes para 922 milhões de euros (+38,6%), e o crescimento da carteira de crédito habitação para 279,1 milhões de euros (+176,1% do que no 1.º Trimestre de 2018 de carteira líquida de imparidades) e de produção de crédito ao consumo em 9,7 milhões de euros (+18,3% do que no 1.º Trimestre de 2018)”.

Já a integração da área de pagamentos CTT e Payshop nesta área de negócio contribuiu com 4,9 milhões de euros de rendimentos relacionados com pagamentos, -0,3 milhões de euros (-5,8%) face ao 1.º Trimestre de 2018.

(Notícia atualizada às 18h20)

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