Mário Nogueira: Se esquerda inviabilizar condicionantes da direita está a fazer um “favor” ao Governo

Mário Nogueira diz que seria "estranho" que os partidos à esquerda inviabilizassem a contagem integral do tempo dos professores ao chumbarem as condicionantes defendidas pela direita.

Se os bloquistas e os comunistas chumbarem o travão financeiro proposto pela direita para condicionar a recuperação do tempo “perdido” pelos docentes estarão a fazer um “favor” ao Executivo de António Costa, uma vez que assim deverão ser “apagados” mais de seis dos nove anos congelados. Quem o diz é o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Em declarações à SIC Notícias, Mário Nogueira sublinha que a alternativa às condicionantes apresentadas pela direita não é “uma negociação sem critérios, é apagar esse tempo”.

Na semana passada, os deputados aprovaram na especialidade a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias congelados, tendo chumbado os calendários propostos pela esquerda e as condicionantes financeiras sugeridas pela direita.

Face a esta votação, o primeiro-ministro ameaçou demitir-se, caso essa lei fosse aprovada, defendendo que tal recuperação “condicionaria de forma inadmissível a governação futura”. Em reação a este ultimato, o PSD desafiou o PS a votar favoravelmente a proposta do PSD de “salvaguarda financeira” e esclareceu que, sem esse travão, os social-democratas não poderão viabilizar a recuperação integral do tempo perdido pelos professores.

Horas antes, o CDS já tinha tomado uma posição semelhante, dizendo que vai levar a votos uma proposta que faz depender o pagamento do tempo integral de serviço aos professores do crescimento económico, da sustentabilidade financeira, da negociação do estatuto da carreira dos docentes e do regime de aposentação. Se esta proposta não for aprovada, a bancada de Assunção Cristas admitiu mesmo mudar o seu voto na lei face à votação feita na especialidade na noite de quinta-feira.

Entretanto, os professores fizeram saber que vão pedir à esquerda que viabilize estas condicionantes propostas pela direita, evitando assim que se apaguem os tais seis anos congelados. “Aquilo que nós esperamos é que, confirmando as suas posições, a esquerda não acabe por impedir que a recuperação se dê”, sublinhou Mário Nogueira, esta segunda-feira.

De acordo com o secretário-geral da Fenprof, a alternativa às propostas das bancadas do PSD e do CDS não é uma “negociação sem critérios”, é “apagar” seis dos nove anos congelados. “Percebemos as posições que os partidos têm em votar aqueles critérios, mas também pretendemos que os partidos percebam que, se não deixarem passar a proposta, o que estão a fazer é um favor a um Governo que quer apagar aos professores seis anos e meio, salientou o sindicalista.

Mário Nogueira disse ainda que consideraria “estranho” ver a esquerda a inviabilizar a recuperação integral do tempo de serviço, já que tem defendido essa contagem dos nove anos desde o início. Estranho ou não, o Bloco de Esquerda já frisou que vai manter “todas as votações feitas no processo de especialidade da apreciação parlamentar sobre a recuperação de tempo de serviço dos professores”, ou seja, deverá chumbar as condicionantes propostas pela direita. O PCP, por sua vez, não comenta.

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