Altice paga taxa de mais de 10% para se financiar no mercado

  • ECO
  • 7 Maio 2019

Dona da Meo financiou-se em quase três mil milhões de euros, mas acabou por pagar uma taxa de juro mais elevada do que em anteriores emissões.

A Altice foi obrigada a pagar uma taxa de juro elevada para se financiar nos mercados. De acordo com o Financial Times (acesso condicionado, conteúdo em inglês), a dona da Meo acabou por conseguir quase três mil milhões de euros, mas com juros que chegaram a superar os 10%.

A Altice financiou-se com obrigações que têm uma maturidade de oito anos, mas em duas tranches. Numa delas, obteve 1,4 mil milhões de euros com uma taxa de 8%, mas na outra os 1,6 mil milhões de dólares obtidos obrigaram a empresa liderada por Patrick Drahi a pagar um juro de 10,5%.

Estes 10,5% pela dívida em dólares representaram, de acordo com o FT, um custo bem mais avultado que o registado pela Altice em anteriores operações de financiamento. Uma vez que a taxa de juro de referência em dólares é mais elevada, é normal que a yield exigida pelos investidores tenha sido mais elevada, tendo a Altice intenção de trocar os títulos para euros, o que acabará por ditar uma descida dos juros.

A CreditSights salienta o facto de o custo suportado pela Altice ter sido “materialmente” mais elevado do que aquela que é a taxa implícita na dívida da empresa já no mercado. Uma emissão de 750 milhões de euros com maturidade em 2025 está a transacionar com uma taxa abaixo de 7% no mercado secundário.

Nesta operação, os investidores norte-americanos demonstraram menos confiança no grupo de telecomunicações que os europeus. Os 50 mil milhões de euros em dívida, fruto de várias aquisições ao longo dos anos, entre elas a da Meo, mantêm muitos investidores em alerta, receando a capacidade de a empresa cumprir com o pagamento dessa mesma dívida.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Altice paga taxa de mais de 10% para se financiar no mercado

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião