CEO portugueses mais pessimistas com o rumo da economia. Populismo, impostos e regulação lideram preocupações

Empresários alinham com instituições internacionais nas expetativas para a economia, revela CEO Survey, elaborado pela PwC, com base em inquérito a 1.378 gestores, dos quais 70 são portugueses.

Depois de acelerar, a economia mundial, mas também a nacional, vai abrandar. Está a aumentar o pessimismo dos empresários quanto ao rumo das economias, acompanhando aquelas que têm sido as previsões de vários organismos internacionais. É uma preocupação para os CEO que se junta a outras, nomeadamente o crescimento do populismo, refere o o CEO Survey desenvolvido pela consultora PwC.

“No ano passado, assistimos a um salto recorde do otimismo, no que respeita às perspetivas de crescimento global para 2018, e essa confiança verificou-se em todas as regiões do mundo. Na edição deste ano assistimos ao cenário oposto, com um aumento do sentimento pessimista, com quase 30% dos CEO a projetarem um declínio no crescimento do PIB global (5% no ano anterior)”, refere o relatório que contou com a colaboração de 1.378 CEO em mais de 90 países, dos quais 70 portugueses.

Apesar de os 70 CEO portugueses que participaram no inquérito da PwC seguirem a tendência global de inversão no sentimento, apenas apenas 13% antecipam uma redução do crescimento económico mundial. Os empresários apontaram também para uma queda nas perspetivas de receitas próprias no curto (um ano), médio (três anos) e longo prazo.

“Na sua generalidade, os CEO ainda projetam um crescimento económico global positivo, mas se o seu poder preditivo do passado for uma indicação, este deverá desacelerar em 2019. No que toca ao cenário português, verifica-se, também, um decréscimo da confiança no crescimento da economia global, e apenas 50% dos CEO nacionais(face aos 77% no ano passado) considera que a performance da economia global irá melhorar no próximo ano“, sublinha a PwC.

Apesar pessimismo, metade dos CEO portugueses ainda espera mais crescimento económico

Fonte: PwC CEO Survey 2019

O pessimismo não é “surpreendente”, como explica a consultora já que tanto analistas como instituições internacionais reviram em baixa as projeções para o crescimento económico global em 2019. Após uma expansão do produto interno bruto (PIB) mundial de 3,6% em 2018, a Comissão Europeia antecipa atualmente que a economia cresça 3,2% este ano, enquanto tanto o Fundo Monetário Internacional como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico apontam para 3,3%.

Populismo, políticas e… regulação (a mais)

Tanto os CEO internacionais como os nacionais estão receosos quanto o ritmo de crescimento das economias, bem como quanto aos efeitos que um abrandamento poderá ter nas empresas que lideram. Mas há mais motivos de preocupação. “Estão agora menos preocupados com ameaças mais amplas e existenciais, que surgiram nos rankings do ano passado, como por exemplo, o terrorismo e as alterações climáticas e mais preocupados com a facilidade em fazer negócios, nos mercados em que operam”, diz a PwC.

“Decorrente da atual onda de sentimento populista e protecionista, que se estende a vários continentes, os CEO viraram as suas atenções para questões mais internas dos seus países, enquanto se adaptam às novas barreiras erguidas entre mercados – tanto no comércio internacional, como no emprego”, refere o relatório da PwC que será apresentado quinta-feira, 9 de maio, com a presença de Pedro Castro e Almeida, Isabel Vaz, Domingos Soares de Oliveira e Luis Marques Mendes.

Tanto em Portugal como a nível global, o populismo é a maior preocupação, destronando o terrorismo, que liderava a lista no ano anterior. Segue-se o aumento da carga fiscal e o excesso de regulação. Num ano marcado pelo conflito comercial entre EUA e China, o protecionismo e os conflitos comerciais também se destacam na lista, apesar de em ambos os casos os portugueses mostrarem menores preocupações que a média dos CEO.

Principais ameaças económicas, políticas, sociais e ambientais

Fonte: PwC CEO Survey 2019

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