Lucros da EDP afundam para 100 milhões de euros no primeiro trimestre

Lucro do primeiro trimestre da EDP caiu 39% face ao mesmo período de 2018, altura em que já tinha recuado 23%. EDP justifica com subida do imposto de 18% para 27% e piores resultados financeiros.

A EDP registou uma quebra de 39% no resultado líquido no primeiro trimestre do ano, com os lucros a ficarem pelos 100 milhões de euros. “O resultado líquido da EDP no primeiro trimestre 2019 ascendeu a 100 milhões, 39% abaixo do primeiro trimestre de 2018″, período em que a elétrica tinha registado 166 milhões de resultado líquido. Segundo a empresa, o resultado “ajustado de efeitos não recorrentes”, teria sido de uma queda de 32%.

Os analistas consultados pela Reuters apontavam em média que a EDP conseguisse um lucro de 127,4 milhões de euros entre janeiro e março, pelo que este resultado pior que o esperado deverá ter impacto na cotação da ação ao longo de sexta-feira, depois de o título ter valorizado cerca de 1,05% na sessão desta quinta-feira, aproximando-se dos 3,19 euros.

Ações subiram antes dos resultados

A tendência de queda dos resultados da elétrica mantém-se, já que ao longo do ano passado o resultado líquido da elétrica caiu para 519 milhões de euros, menos 53% que no ano anterior. A contribuir para a quebra nos resultados em 2018 esteve a atividade em Portugal, que registou prejuízo pela primeira vez em mais de duas décadas (excluindo a EDP Renováveis). O dividendo, esse, não sofreu alterações.

A EDP aponta o aumento dos impostos suportados e um agravamento dos resultados financeiros como principais causas do deteriorar das contas no início deste ano. “O imposto sobre o rendimento ascendeu a 99 milhões de euros” entre janeiro e março deste ano, aponta a EDP, sublinhando que este valor corresponde a uma taxa efetiva de imposto de 27%, que compara com os 18% de imposto suportado no arranque de 2018, quando a elétrica pagou menos 25 milhões de imposto.

No comunicado sobre os resultados, a empresa refere a que os resultados financeiros registaram um agravamento, para -186 milhões, que se deveu “a menores resultados com diferenças de câmbio e derivados, a adoção da IFRS16” e também pelo ganho não-recorrente assumido no primeiro trimestre de 2018 relativo à venda de 20% num projeto offshore no Reino Unido, que teve um impacto de 15 milhões. Neste período, a dívida líquida da EDP aumentou em 268 milhões para 13,75 mil milhões de euros.

Mais produção, menos investimento

Apesar do mau comportamento do resultado líquido, certo é que o EBITDA da EDP cresceu 3% no período, atingindo 921 milhões de euros, ainda que na Renováveis este indicador tenha recuado 5%, para 556 milhões. A propósito da Renováveis, o EDP detalha que os itens com impacto positivo no EBITDA no trimestre — “benefícios da expansão do portfolio”, “impostos de produção mais baixos” e “preços de venda médios mais altos” — acabaram por ser anulados pelo “fator clima adverso”, com impacto de “-85 milhões devido à fraca hidraulicidade na Península Ibérica” e de -64 milhões “provocado por uma fraca eolicidade”.

Em março, a EDP tinha uma capacidade instalada de 27.182 megawatts, mais 2% do que em março de 2018, tendo produzido um total de 17 974 gigawatts/hora no trimestre, um recuo de 13% em comparação com o primeiro trimestre de 2018. Contudo, e face ao trimestre anterior, a produção aumentou em 80 Gwh, mostram os anexos das contas trimestrais. Em termos de produção, a tecnologia eólica e solar responderam por 47% dos GWh, tendo um peso de 42% na capacidade instalada da empresa.

Entre janeiro e março deste ano, o investimento operacional consolidado da EDP recuou 6%, de 368 milhões para 344 milhões de euros, especialmente à conta da expansão da empresa, onde as apostas da elétrica recuaram 21% para 222 milhões. Já o investimento em manutenção de redes cresceu 44% no período, para 122 milhões.

(Notícia atualizado às 18h50)

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