Valente de Oliveira, o homem mais condecorado no país, não concorda com retirada de distinções a Berardo

  • ECO
  • 17 Maio 2019

Em reação à polémica que rodeia Berardo, o ex-ministro Valente de Oliveira defende que a condenação na praça pública não é um critério que se deva seguir na decisão para retirar condecorações.

As declarações de Joe Berardo aos deputados da Comissão de Inquérito à recapitalização e atos de gestão da Caixa Geral de Depósitos chocaram o país. Depois desta audição, dúvidas sobre se o empresário deveria manter as comendas começaram a surgir. Mas para Luís Valente de Oliveira, o homem mais condecorado no país, retirar as distinções a Berardo abriria um precedente.

O ex-ministro apoia-se na lei para explicar a sua posição relativamente a Berardo. “A lei diz que se retira a condecoração quando for condenado”, relembra Valente de Oliveira, em declarações à Antena 1 (acesso livre). “A condenação na praça pública parece-me um critério que não se deve seguir sistematicamente“, aponta.

Valente de Oliveira, que já foi inclusive chanceler do Conselho das Ordens Nacionais, não se mostra incomodado em partilhar as distinções com Berardo, ao contrário de José Miguel Júdice, que ameaçou devolver a Ordem do Infante D. Henrique se o Presidente não retirar o grau de comendador a Berardo, no espaço de comentário da SIC Notícias (acesso livre).

Mesmo assim, Valente de Oliveira admite que “uma manifestação do desagrado do Conselho das Ordens” afigura-se “naturalmente justificável“. Depois de Marcelo Rebelo de Sousa sinalizar que não se oporia a uma deliberação por parte do Conselho das Ordens, a chanceler Manuela Ferreira Leite convocou para esta sexta-feira uma “reunião extraordinária” para rever as condecorações atribuídas a Berardo.

O presidente da Assembleia da República também já remeteu à chanceler das Ordens Nacionais a “posição final” sobre a retirada das comendas ao empresário Joe Berardo, lembrando, contudo, que não compete ao Parlamento intervir sobre a instauração de processos disciplinares.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Valente de Oliveira, o homem mais condecorado no país, não concorda com retirada de distinções a Berardo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião