Câmara de Lisboa gastou ilegalmente quatro milhões de euros em obras sem concurso

  • ECO
  • 23 Maio 2019

Fiscalização do Tribunal de Contas concluiu que a Câmara de Lisboa aprovou empreitadas como trabalhos "suplementares", quando não o eram. CML falhou ao não recorrer a concurso público.

A Câmara de Lisboa gastou, ilegalmente, quatro milhões de euros em obras públicas feitas sem recorrer a concurso, concluiu o Tribunal de Contas (TC) após uma fiscalização, citado pela TSF. De acordo com o relatório, os responsáveis pelas obras incluem vereadores que aprovaram partes desses contratos públicos. A autarquia já informou que vai recorrer da decisão do TC.

A fiscalização analisou três empreitadas e concluiu que os trabalhos que a câmara classificou como trabalhos “a mais”, “suplementares” e, em alguns casos, para resolver “erros ou omissões”, não o eram na realidade, violando, assim, o Código dos Contratos Públicos. Não dependeram de “circunstância imprevista”, como defendia a autarquia.

Em causa está a falta de concursos públicos para avançar com estas obras, relativas a pavimentos e estruturas de drenagem da cidade — despesas ilegais de cerca de 1,3 milhões de euros — e outras duas para recuperar arruamentos e infraestruturas de saneamento nas zonas sul e norte de Lisboa — 1,1 e 1,4 milhões de euros, respetivamente.

Entre os responsáveis estão vereadores que aprovaram parte desses contratos em reunião de câmara, mas também dois chefes de divisão, uma diretora municipal e engenheiros. Estes podem incorrer em multas entre os 2.550 e os 18.360 euros.

Numa nota enviada à TSF, a câmara de Lisboa já informou que vai recorrer da decisão do TC, garantindo que lança concurso para todas as obras e que era “impossível abrir concurso público específico para cada arruamento ou pavimentação pois uma cidade como Lisboa tem milhares de ruas para reparar”.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Câmara de Lisboa gastou ilegalmente quatro milhões de euros em obras sem concurso

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião