PPE e S&D perdem força. Nacionalistas, verdes e liberais crescem no Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu sai destas eleições mais fragmentado, com o surgimento de vários movimentos a desafiar o domínio dos centristas de direita do PPE e de esquerda do S&D.

A configuração do Parlamento Europeu vai mudar depois destas eleições, com o surgimento de novos movimentos nacionalistas e ecológicos que retiram força às famílias socialista e de centro direita. A estas tendências juntam-se também os liberais, que ganham mais lugares, com a ajuda de Macron.

O PPE continua a ser a maior força, mas pode perder cerca de 40 deputados, apontam as sondagens do Parlamento Europeu. De forma semelhante, também os socialistas S&D, onde se inclui o PS português, mantêm-se a segunda maior família europeia, mas com menos quarenta deputados. Esta redução de assentos parlamentares custará também aos centristas a maioria no Parlamento. Terão de se juntar a outras forças para o conseguir novamente.

As tendências sentidas na Europa, que roubam lugares aos grandes grupos PPE e S&D, são essencialmente nacionalistas, liberais e verdes. Já era esperado um reforço dos partidos nacionalistas, que se destacaram, por exemplo, em França, onde o partido de Marine Le Pen terá a vitória, e na Itália, onde a Liga de Matteo Salvini conseguiu também liderar as votações. Os deputados eleitos destes partidos vão preencher as bancadas do Europa das Nações e da Liberdade.

Mesmo assim, o desempenho das forças de extrema-direita noutros países não foi tão elevado quanto o esperado. Na Áustria, a vitória foi do Partido Popular Austríaco, do chanceler Sebastian Kurz. As projeções apontam para que os conservadores tenham obtido 34% dos votos, mais 7% do que nas eleições de 2014. Por outro lado, o FPO, partido de extrema-direita com quem o Kurz se tinha coligado para formar governo, perdeu 2% de votos em relação às europeias anteriores, depois de estar envolvido numa polémica de corrupção.

Os liberais do ALDE vão ver a família aumentar e ser a terceira maior força no Parlamento Europeu, principalmente impulsionados pelo resultado de Macron, cujo partido se irá juntar ao grupo. Na Roménia, os liberais conseguiram ficar ao mesmo nível que os sociais-democratas, sendo que as projeções apontam para que ambos tenham cerca de 25% dos votos. A força liberal saiu vencedora também no Luxemburgo, por exemplo.

O grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia também ganhará lugares, numa altura em que as alterações climáticas são das maiores preocupações no Velho Continente. Os partidos ecológicos ficaram em segundo lugar na Alemanha, em terceiro na França e em segundo na Finlândia. Em Portugal o apoio a esta causa reflete-se no resultado do PAN, que deverá eleger pela primeira vez um deputado.

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