Itália reacende conflito com a UE e afugenta investidores para a dívida alemã

À beira de um novo conflito com Bruxelas e com objetivo de não perder influência no BCE, juro da dívida italiana sobe e ações da banca afundam. Juros da dívida portuguesa batem novo mínimo histórico.

Itália voltou a agitar o mercado de dívida. Em risco de ser multado pela Comissão Europeia devido ao elevado endividamento público, o país sinalizou querer lugares de liderança no Banco Central Europeu (BCE) para manter a política acomodatícia. A renovada fricção entre Itália e as instituições europeias está a levar os investidores a procurarem refúgio na dívida alemã.

A Comissão Europeia deverá iniciar um novo processo de contraordenação contra Itália já na próxima semana devido ao aumento da dívida e do défice acima das metas definidas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, segundo confirmaram duas fontes à agência Reuters. “O sentimento é definitivamente de ação”, disse um dos oficiais europeus que falou sob anonimato. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini já confirmou que a multa poderá chegar a três mil milhões de euros.

Além desta notícia também Claudio Borghi, deputado da coligação governamental, afirmou que Itália pretende ter um dos lugares na comissão executiva do BCE. A instituição europeia é atualmente liderada por um italiano, Mario Draghi, que irá abandonar o cargo no próximo ano e Itália não quer perder influência. O objetivo é que o BCE compre mais dívida italiana, para que o país possa continuar a emitir dívida para financiar projetos de infraestruturas e estimular o crescimento.

Face a estas notícias, a yield das Obrigações italianas a dez anos sobe para 2,717% em mercado secundário e as ações no índice FTSE MIB perdem 0,07%. A banca italiana está a ser especialmente penalizada e afunda 1,5% para os níveis mais baixos desde fevereiro, enquanto a banca europeia cede 0,04%.

Em sentido contrário, as Bunds alemãs a dez anos estão a servir de refúgio para os investidores e a yield cai para -0,155%, o valor mais baixo em dois anos e meio. À exceção de Itália, por toda a Zona Euro, os juros das dívidas soberanas recuam e Portugal não é exceção. A yield dos títulos portugueses cede 2,7 pontos base para 0,942% (um novo mínimo histórico).

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