IGCP: Portugal entrou “com sucesso” no mercado de Panda Bonds

A agência que gere a dívida pública foi bem-sucedida na operação de financiamento em moeda chinesa. Diz que a operação foi um sucesso, reflexo da forte procura e da taxa obtida.

A primeira emissão de dívida portuguesa em moeda chinesa foi “uma transação de sucesso”, com a qual o país entrou no terceiro maior mercado de obrigações do mundo, como destacou a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP.

“Marca-se a primeira emissão de sempre de Panda por um país da Zona Euro e apenas o terceiro país europeu a aceder ao mercado da China continental”, afirmou o IGCP, em comunicado, referindo-se às emissões de Panda Bonds — como são conhecidos os títulos em moeda chinesa colocados por emitentes estrangeiros — da Polónia (em agosto de 2016) e da Hungria (em julho de 2017).

O país fechou esta quinta-feira uma colocação de dois mil milhões de renminbi (equivalente a 260 milhões de euros) em Panda Bonds com uma yield de 4,09%. A operação contou com forte procura, que ficou três vezes acima da oferta. Fazendo a conversão para euros, a yield da emissão de dívida de Panda Bonds é o equivalente a 0,65%, apurou o ECO.

O mercado esperava uma taxa de juro entre 3,9% e 4,5% pelos títulos com prazo em 2022 que serão admitidos à negociação na bolsa de Pequim. Esta operação é mais cara do que seria qualquer emissão de dívida em euros, como admitiu também o ministério das Finanças.

Além do juro, o Tesouro terá de pagar pelo hedging, ou seja, a cobertura cambial da totalidade do montante colocado, para se proteger contra a volatilidade da moeda. No entanto, a abertura a um novo mercado e a diversificação da base de investidores em dívida portuguesa são os principais argumentos para a realização da colocação de Panda Bonds.

“Com esta transação bem-sucedida, Portugal ganhou acesso ao terceiro maior mercado de obrigações do mundo para diversificar a sua base de investidores”, sublinhou o IGCP.

O mercado mostrou forte apetite pela dívida portuguesa com investidores dispostos a alocar seis mil milhões de renminbi. “A forte procura dos investidores refletiu-se na quantidade considerável de ordens colocadas no leilão”, referiu ainda o IGCP, acrescentando que a procura ficou 3,165 vezes acima da oferta, o que permitiu rever em baixa o intervalo de taxa de juro.

Já era esperado que os investidores chineses mostrassem interesse pela dívida portuguesa já que, por um lado, o IGCP tem feito contactos preliminares no país e, por outro, essa tem sido a tendência generalizada em relação os títulos do Tesouro português.

A curto prazo Portugal tem-se financiado com juros cada vez mais negativos e a dez anos têm renovado mínimos históricos. Em mercado secundário, os títulos a três anos (prazo das Panda Bonds) negoceiam em -0,24%.

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