Gin à base de leite, toalhas hidratantes e a saúde no pulso. Ideias brilhantes pela cabeça dos mais jovens

  • Fátima Castro
  • 16 Junho 2019

A criação de gin a partir do sorelho de leite da ovelha bordaleira e a aposta na biomassa para a criação de produtos sem glúten e lactose foram algumas das ideias premiadas nesta mostra de jovens.

Sabia que é possível fabricar gin a partir do sorelho de leite de ovelha? Ou que as palhinhas não precisam de ser de plástico e até podem ser comestíveis? E que uma tolha pode servir para limpar e hidratar ao mesmo tempo? Estão são apenas alguns dos 66 projetos que chegaram à Alfandega do Porto, no âmbito da Mostra Nacional de Jovens Empreendedores, e que lhe damos a conhecer.

Da cabeça de Rodrigo Carvalho, de 16 anos, saiu a ideia de produzir gin a partir do sorelho de leite da ovelha bordaleira, que possui um teor de lactose superior aos demais leites. “Como a lactose é fonte de açúcar para a fermentação então poderemos obter álcool com elevado teor alcoólico a partir do soro de leite e fabricaremos o nosso próprio gin da marca BemBiber“, revela o aluno da Escola Profissional de Oliveira do Hospital.

Partindo daquele que é o principal resíduo da produção de queijo, sem valor de mercado reconhecido em Portugal — o sorelho de leite acaba por ser libertado como efluente em cursos de água, comprometendo o nível de oxigénio presente na água –, Rodrigo Carvalho diz ter tido a ideia numa aula de ciência. Ainda que não estivesse “nada à espera de ganhar este primeiro prémio”, o estudante de Oliveira do Hospital quer agora avançar com o registo da patente com o dinheiro obtido. O objetivo final, confessa, é mesmo conseguir comercializar o gin e que este negócio seja o começo do seu percurso profissional.

O projeto BemBiber foi uma das ideias galardoadas com o primeiro prémio na categoria do ensino secundário na segunda mostra nacional de jovens empreendedores, promovida pela Fundação da Juventude.

Projeto BemBiber
Rodrigo Carvalho ganhou o primeiro prémio na segunda amostra de jovens empreendedores com o projeto BemBiber.Fundação da Juventude

Sem glúten, sem lactose e muitos nutrientes

A premissa por detrás da ideia de Rodrigo é antiga, na natureza nada se perde, tudo se transforma, e esteve também na base da criação do estudante brasileiro Tailan Melo. Numa era em que ganha impacto a importância da economia circular, com a aposta na reutilização e na redução do desperdício, a par de de uma procura crescente de produtos saudáveis, Talin convenceu o júri da categoria ensino superior com um processo de “reutilização de bananas em estado verde que são desprezadas por pequenos agricultores”.

O projeto Bio+Produtos é um “novo conceito de alimentação saudável, de baixo custo, direcionado principalmente para as pessoas que procurem uma reeducação alimentar de qualidade e com grandes propriedades nutritivas“, explica o estudante na Universidade Federal do Oeste da Baía, no Brasil.

Segundo Tailan é possível substituir a farinha de trigo, o leite e os seus derivados, através da biomassa da banana verde, e apostar na criação de subprodutos sem glúten e sem lactose (biomassa, bolos, biscoitos, cremes, patés, maionese, doces, entre outros). “O processo é simples e qualquer pessoa pode fazer esta transformação na sua própria casa”, diz o empreendedor. Reaproveitando uma matéria-prima que de outra forma seria desperdício, é possível converter as bananas verdes “numa fonte alimentícia que abranja à população geral e algumas pessoas com restrições alimentares, nomeadamente, intolerância a glúten e à lactose, diabéticos, etc”, destaca.

BIO + PRODUTOS foi o projeto, do ensino superior, que conquistou o primeiro lugar na segunda mostra nacional de jovens empreendedores.

O “projeto BIO + Produtos segue os três pilares da sustentabilidade: é um produto ecologicamente, socialmente e economicamente viável”, reforça o estudante brasileiro na mostra nacional de jovens empreendedores que decorreu no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

Reduzir o consumo dos plásticos, aromatizando a água

E como a sustentabilidade ambiental é cada vez mais uma preocupação a nível mundial e já está inserida na estratégia de grandes marcas, o grupo de alunos da Escola Comercial do Porto apresentou o projeto Palhiliqui, uma solução para acabar com as palhinhas de plástico. Beatriz Oliveira, Jianghua Xu, Ricardo Gonçalves e Luísa Valente tiveram a ideia de produzir palhinhas comestíveis, feitas de hóstia, para acabar com o consumo do plástico e minimizar os efeitos nefastos no planeta.

Existem estudo que comprovam que o plástico, para além de estar em todo o lado, já está no nosso corpo. “Os adultos consomem por ano entre 39.000 e 52.000 partículas de microplástico e as crianças cerca de 40.000”, segundo o estudo publicado na revista Environmental Science and Technology. Conscientes desta problemática e comprometidos com a saúde e com a sustentabilidade ambiental, o projeto Palhiliqui foi distinguido com o segundo prémio no concurso de Ideias Jovem Empreende Porto que tem como tema central um dos assuntos que está na boca do mundo, a quantidade de plástico nos oceanos e no planeta.

Além de sensibilizar a população para a redução do uso de plástico, o projeto Palhiliqui pretende promover o consumo regular de água e para isso a palhinha será produzida e comercializada sob a forma de biscoito cilíndrico, que contém no seu interior, uma mistura solúvel que permitirá aromatizar a água com diferentes sabores.

Palhinhas comestíveis que têm como objetivo acabar com o consumo do plástico e promover o consumo regular de água.

Criação de tábuas de skate a partir de árvores

Outra das 66 ideias que chamaram a atenção do júri — que avaliou projetos envolvendo 173 jovens, 33 professores e 43 escolas — envolve a criptoméria e a acácia, árvores tipicamente açorianas, aqui transformadas em tábuas de skate artesanais. O projeto ROOT – Azorean Wood Premium Skate Bords, foi um dos vencedores ao conquistar o terceiro prémio na categoria do ensino secundário.

Um produto completamente diferenciador que segundo os jovens açorianos tem como missão potenciar as zonas endógenas dos Açores. “Queremos dar mais valor à madeira açoriana e vimos o potencial da nossa matéria-prima para a conceção de um bom skate. Decidimos criar um skate e um longboard com criptoméria e acácia, que para além de ser muito baratas são muito mais resistentes”, referem os skaters da Escola Profissional de Vila Franca do Campo.

Com uma ideia vinda diretamente dos Açores e oriunda da mente de dois apaixonados pelo skate, o projeto ROOT – Azorean Wood Premium Skate Bords já conquistou, para além deste primeiro prémio, o concurso regional “IdeiaAçores”.

Recentemente ganharam o concurso regional “IdeiaAçores” com o projeto Root – Azorean Wood Premium Skate Board.

Toalhas hidrantes: “Um toque de beleza na sua pele”

Numa era em que o culto do corpo é mais do que uma tendência, uma das ideias que despertou atenção ao público em geral, foi o projeto Fabulous Soft. Uma toalha hidratante que tem como função limpar e hidratar o corpo, em simultâneo, de forma rápida e prática. “É algo que nunca se viu e que pode revolucionar o mercado”, referem os autores da ideia. As toalhas Fabulous Soft têm a peculiaridade de serem recarregáveis e reutilizáveis. São produzidas a partir de tecnologia de microcápsulas, 100% de algodão e feitas de fibras naturais.

A Fabulous Soft nasceu de um trabalho conjunto de Bárbara Cardoso, Marco José, Miguel Santos, Tâmara Bastos e Pedro Freitas, jovens com idades entre os 17 e os 19 anos, que pensaram nesta solução após uma aula de educação física. As toalhas Fabulous Soft, consideradas pelos jovens como “uma ideia revolucionária e inovadora aqui em Portugal e no estrangeiro“, foram distinguidas com uma menção honrosa no concurso de Ideias Jovem Empreende Porto. Jovens responsáveis pela criação das tolhas Fabulous Soft.

Os jovens empreendedores querem levar a ideia além fronteiras, mas para isso necessitam de patentear o produto e angariar investidores, que os ajudem a ser pioneiros neste produto, rotulado pelo grupo como: “dois em um: seca e hidrata a pele”.

Medicamentos à Boleia ou a medicação à distância de um clique

Ainda na à área da saúde, mas mais focados numa causa mais social encontramos o projeto Medicamentos à Boleia, uma ideia dos estudantes do Ensino Superior, Cintia Males, Inês Brás, Mariana Castro e Pedro Ribeiro. Uma app que servirá de interface entre as farmácias e o consumidor final, permitindo a distribuição dos medicamentos ao domicílio.

Através da aplicação, os clientes têm acesso às farmácias aderentes à Medicamente à Boleia, escolhem a farmácia mais adequada, na qual podem fazer a seleção dos medicamentos, com ou sem receita médica. Depois é só selecionar o lugar e a hora para a entrega, e após o pagamento a farmácia faz chegar os medicamentos aos utentes.

Projeto “Medicamentos à Boleia”, uma app que pretende revolucionar a ligação entre as farmácias e os utentes.

A medicação chega a sua casa à distância de um clique. Segundo os quatro jovens empreendedores, esta app irá “revolucionar a ligação entre as farmácias e o consumidor final”, referem os estudantes da Escola Superior de Saúde de Santa Maria, no Porto. Neste projeto está envolvida a ordem dos enfermeiros e a Associação Nacional de Farmácias.

Pulseira Dandari: “o pulsar da inovação médica”

A tecnologia aliada à saúde é também o mote da pulseira Dandari. Armazenando os dados biométricos do utilizador, como o tipo sanguíneo, alergias e doenças, consultas, exames médicos, medicação, entre outras funcionalidades este equipamento permite uma melhor prestação de socorro em caso de emergência.

“Nestas situações, se os utentes tiverem a pulseira, os paramédicos conseguem imediatamente aceder ao historial do doente e direciona-los para um apoio mais especifico”, salienta Cristiano Marques, que com Miguel Santos é um dos mentores do projeto.

A pulseira Dandari torna mais fácil o acesso aos dados biomédicos e permite uma melhor prestação de socorro em caso de emergência.

Sob o slogan “o pulsar da inovação médica”, a pulseira Dandari é recomendada sobretudo para as pessoas idosas e/ou doentes crónicos. A pulseira, que contém um chip que liga através de Bluetooth, não gasta energia, uma vez que é carregada por indução e funciona em conjunto com uma app que permite aceder ao dados da pulseira e edita-los. Miguel Santos diz que o feedback está a ser bastante positivo e há quem diga para colocarmos já a Dandari à venda no mercado”, conclui.

Envolvendo alunos do ensino secundário, profissional e superior, a II Mostra Nacional de Jovens Empreendedores, integra projeto Gera Talentos, que tem como objetivo fomentar, reconhecer, distinguir e premiar a inovação, a criatividade e o talento dos jovens cientistas e empreendedores.

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