Presidente da Prio antevê problemas para fazer oleoduto até aeroporto de Lisboa

  • Lusa
  • 18 Junho 2019

Pedro Morais Leitão lembra que a discussão sobre o oleoduto para abastecer o Aeroporto de Lisboa tem duas décadas e que os problemas do passado não terão "desaparecido de um dia para o outro".

O presidente executivo da Prio antevê várias dificuldades na execução do oleoduto para abastecer o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, referindo problemas que existiram no passado e que não acredita tenham desaparecido de um dia para o outro.

Em entrevista à agência Lusa, Pedro Morais Leitão disse que “gostaria muito que o projeto [do oleoduto, anunciado há duas semanas pelo Governo] avançasse”, mas lembrou que é um projeto com “um historial de 20 anos”, em que “existiram problemas”, que não terão “desaparecido de um dia para o outro”.

“Se é possível o oleoduto, é uma discussão já de longa data. Esses 40 quilómetros [desde Aveiras até ao aeroporto] passam por uma das zonas metropolitanas mais construídas. Fazer passar um oleoduto pelo meio dessa zona urbana vai garantidamente levantar problemas de licenciamento municipal, vai criar, provavelmente, zangas entre presidentes de câmara sobre quem fica com os riscos de segurança que inevitavelmente estão associados a um oleoduto”, declarou.

“Não conheço o projeto em detalhe, mas vi muitas discussões sobre o assunto”, disse, referindo que, neste momento, existe uma instabilidade acrescida relacionada com o projeto do aeroporto do Montijo.

“O que se pode esperar de consumo no aeroporto da Portela [Humberto Delgado, em Lisboa] e o que se pode esperar do Montijo? Todas estas decisões de infraestrutura exigem estabilidade”, lançou.

No passado dia 29 de maio, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, anunciou no parlamento que será construído um oleoduto para abastecer o aeroporto de Lisboa, que aproveitará uma conduta de água existente, num investimento de cerca de 40 milhões de euros para estar concluído em 2021.

Esse investimento será sempre feito por entidades privadas. Temos neste momento uma candidatura para o poder fazer, utilizando aquele que é o melhor dos canais que é a conduta do Alviela, uma conduta com 150 anos que abastece Lisboa e que está em curso ser desativada, porque já existem outras alternativas”, afirmou então o governante.

A empresa interessada no projeto é a CLC – Companhia Logística de Combustíveis, S.A, controlada pela Galp, que é responsável pela exploração do oleoduto entre Sines e Aveiras de Cima e também pela armazenagem e expedição de combustíveis na instalação de Aveiras de Cima.

Entretanto, na semana passada, Matos Fernandes disse já ter o parecer jurídico que considera que o novo oleoduto para abastecer o Aeroporto Humberto Delgado é uma atividade de transporte e, por isso, “pode mesmo ser feito pela CLC”, sem ser necessário abrir um concurso público.

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