Galp, Repsol e BP dizem ao Governo que querem construir oleoduto para abastecer aeroporto de Lisboa

A Companhia Logística de Combustíveis, consórcio entre a Galp, Repsol, BP e Rubis Gás, já comunicou ao Governo a intenção de construir um oleoduto de transporte para abastecer o aeroporto de Lisboa.

A Companhia Logística de Combustíveis (CLC), detida em 65% pela Petrogal, já informou o governo da intenção em construir um oleoduto para abastecer diretamente o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, um dos únicos a nível europeu ainda servido por camiões. O projeto pode custar cerca de 40 milhões de euros, conforme avançou João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, no final de maio.

“A CLC, consórcio em que a Galp participa, já manifestou formalmente ao Governo a sua intenção em construir um oleoduto de transporte para ligação ao aeroporto de Lisboa”, respondeu fonte oficial da petrolífera ao ECO, depois de questionada sobre o assunto, sem acrescentar mais comentários.

A Companhia Logística de Combustíveis é detida em 65% pela Petrogal, com a BP Portugal e a Repsol a deterem 15% do capital cada uma e a Rubis Energia uma fatia de 5% — depois da aquisição do negócio de GPL à BP.

No final de maio, o ministro revelou à comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas que o “oleoduto vai ser construído, aproveitando a conduta do Alviela, da EPAL, que passa tangente ao grande armazém da CLC [em Aveiras] e vai até dois a três quilómetros do aeroporto. Esta conduta de água está neste momento a ser desativada”. De acordo com o governante, a obra estará construída até ao final do primeiro semestre de 2021.

"A CLC, consórcio em que a Galp participa, já manifestou formalmente ao Governo a sua intenção em construir um oleoduto de transporte para ligação ao aeroporto de Lisboa.”

Fonte oficial da Galp Energia

A solução proposta pela CLC ao Executivo estará por estes dias em fase de avaliação, tendo o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (MATE) referido ao ECO que ainda espera por um relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre o projeto que está em cima da mesa.

A construção de este oleoduto a ligar Aveiras e o aeroporto de Lisboa é um projeto antigo que nunca avançou por nunca se ter deixado de considerar o aeroporto de Lisboa uma infraestrutura que seria desativada com o lançamento de um novo aeroporto na região. Recentemente, porém, o tema ganhou nova importância depois da greve convocada pelos motoristas de matérias perigosas ter secado em poucas horas as reservas da Portela.

O Parque de Armazenagem de Combustíveis, detido pela CLC, destina-se à receção através de um oleoduto com 147 quilómetros de combustíveis líquidos e gases de petróleo vindos da Refinaria de Sines que são armazenados e posteriormente expedidos. É a partir deste Parque que a CLC abastece toda a zona centro do país, incluindo a área metropolitana de Lisboa e o aeroporto da Portela.

Segundo números avançados ainda durante a greve do Sindicato Nacional de Matérias Perigosas, diariamente saem cerca de 180 camiões-cisterna de Aveiras para abastecer as necessidades de consumo de jet fuel das companhias aéreas que utilizam o aeroporto Humberto Delgado.

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