Motoristas de matérias perigosas aprovam “acordo histórico”. Mas falta conhecer opinião dos patrões

Ainda com pré-aviso de greve para 23 de maio em vigor, sindicato dos motoristas de matérias perigosas diz ao ECO que associados já aprovaram termos negociados. ANTRAM ainda está a ouvir os seus.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) já obteve a concordância dos seus associados aos termos presentes no pré-acordo celebrado com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram). Segundo Pedro Pardal Henriques, advogado do SNMMP, avançou ao ECO, “os filiados” do sindicato “ficaram muito satisfeitos”, com aquilo que consideram ser “um acordo histórico”.

“A aceitação por parte dos nossos associados aconteceu durante o último fim de semana”, apontou Pardal Henriques, sublinhando que os seus “filiados ficaram muito satisfeitos, é um acordo histórico”. Mas para que os termos negociados ganhem estatuto de acordo oficial, falta o mesmo documento ser igualmente aprovado pelas empresas de transportes pesados.

Contactada, a Antram explicou ao ECO que as reuniões com os seus associados ainda estão a decorrer, pelo que a associação preferia não se pronunciar, para já, sobre as opiniões que tem recolhido por parte das entidades patronais dos motoristas.

Além dos termos negociados com os motoristas de matérias perigosas, a Antram está também a reunir com os seus associados para lhes apresentar as propostas recebidas do Sindicado Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), no seguimento da reunião da última segunda-feira, mediada pelo Ministério do Trabalho. A Antram tem nova reunião com este sindicato agendada para esta sexta-feira, devendo resultar desta a decisão do SIMM em avançar ou não para uma greve a 27 de maio.

Greve na próxima quinta-feira?

O advogado do sindicato de motoristas de matérias perigosas explicou ao ECO que a expectativa dos motoristas é que também as empresas aprovem os termos negociados com a Antram. Ainda assim, sublinhou, “o pré-aviso de greve continua em vigor até que o pré-acordo seja traduzido a escrito”. Assim, e para todos os efeitos, os motoristas de matérias perigosas têm uma paralisação agendada para começar na próxima quinta-feira, dia 23.

Na sequência de um desentendimento entre as partes após a primeira reunião, o SNMMP avançou com um pré-aviso de greve por tempo indeterminado a começar a 23 de maio. Em causa estiveram as declarações públicas da Antram após o primeiro encontro entre entidade patronal e entidade sindical, dando conta que esta última tinha recuado e aprovado um salário-base de 700 euros, que levou o SNMMP a reagir em força. Só com a intervenção do Ministério das Infraestruturas e Habitação foi possível ter Antram e sindicato de volta à mesa das negociações.

“O presidente e o vice-presidente da Antram aceitaram os termos do acordo. Agora estamos a aguardar a resposta dos associados da Antram”, explicou ainda Pardal Henriques sobre o ponto de situação atual das negociações ao ECO. “Pode acontecer a qualquer momento”, acrescentou.

Sublinhe-se, porém, que a visão das empresas face ao acordado pode não ser tão favorável quanto a dos motoristas. A Antram já salientou que os seus associados não estão em situação de acomodar as reivindicações salariais inicialmente propostas pelo SNMMP — salário base de 1.200 euros para o setor –, já que operam com margens muito apertadas.

Além disso, não é de somenos ter em atenção que o acordo inicial, além da revisão do salário-base, também previa a limitação das horas extra exigidas aos motoristas e o seu pagamento integral, além de um aumento dos seguros e dos exames médicos a estes profissionais, tudo rubricas de custos a serem suportadas pelas empresas.

Desta forma, e assumindo que a posição dos associados da Antram poderá ser similar tanto face às pretensões do SNMMP e do SIMM, não é de riscar a hipótese da economia portuguesa enfrentar uma dupla paralisação de motoristas dentro de poucos dias — a 23 de maio e, depois, a 27 de maio –, sendo também esta a razão para uma postura mais interventiva por parte do executivo, ainda que limitada ao papel de mediador entre a Antram e os sindicatos dos motoristas.

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