Dez anos depois, Grupo Pestana chega a Madrid. Quer faturar um milhão de euros até dezembro

A famosa Plaza Mayor, em Madrid, vai receber, ao fim de 400 anos, o seu primeiro hotel. Num investimento de 12 milhões de euros, o Grupo Pestana instalou-se aqui com um hotel de luxo.

Após dez anos com mais de cem tentativas, o Grupo Pestana finalmente aterrou em Madrid. Não é uma estreia no mercado espanhol — o primeiro hotel abriu em Barcelona — mas é o concretizar de um objetivo há muito esperado. A oportunidade apareceu por acaso e, sem muitas expectativas, foi certeira: 400 anos após a construção da Plaza Mayor, o espaço recebe agora o primeiro hotel de toda a sua história, num investimento total de 12 milhões de euros.

“Estamos a cumprir um sonho e um objetivo: estar nas capitais europeias”, começou por dizer Dionísio Pestana, presidente da cadeia hoteleira nacional, durante um encontro com jornalistas. Um caminho que “não é fácil”, “nunca foi e nunca será”, mas que vale a pena. “Em Portugal investimos sempre com o coração, e depois com a cabeça investimos fora [do país]”.

Pestana Plaza MayorPestana

É no típico bairro de Madrid de los Austrias, em pleno centro da capital espanhola, que abriu portas o Pestana Plaza Mayor Madrid, sob a marca Pestana Collection, e o primeiro hotel que esta praça datada de 1617 recebeu. Foram “mais de cem as oportunidades de investir em Madrid”, contou José Roquette, administrador do Grupo Pestana, acrescentando que demoraram “cerca de dez anos” para conseguir entrar na cidade.

“Há cerca de quatro anos fomos informados por um escritório de advogados local que ia abrir o concurso público [em 2015]. Fomos dos últimos a entrar [no concurso] e apresentamos uma proposta que, diga-se de verdade, não acreditávamos muito que fosse vencedora (…) dado que estávamos a competir com as melhores cadeias do mundo“. Mas a verdade é que foi mesmo a proposta escolhida.

O Pestana vai ficar com a concessão desta unidade durante 40 anos que, ao fim desse tempo, poderão ser renováveis para mais cinco. Até lá, ao investimento de 12 milhões de euros que foi feito no hotel, somar-se-á uma renda anual de 400 mil euros que será paga à Câmara de Madrid, proprietária do edifício — que foi outrora um quartel de bombeiros, o que atrasou o processo. “Foram quatro anos que pareceram quatro meses”, desabafou, entre risos, o administrador. Até dezembro, o objetivo é fazer um milhão de euros, revelou José Theotónio, CEO do Pestana.

Uma noite num dos 89 quartos do hotel custa, em média, pouco mais de 200 euros, um valor que aumenta para um mínimo de 500 euros se a intenção for ficar hospedado numa das oito suítes. O interior do Pestana Plaza Mayor não foi inspirado na cultura portuguesa, embora pareça. Há paredes de azulejos pelos corredores e muitos (mesmo muitos) vestígios preservados de tijolo burro que se estendem por paredes inteiras. Os hóspedes têm ainda direito a duas piscinas, uma interior e outra exterior — no terraço, com vistas para a cidade –, salas de reuniões, spa, ginásio, um lounge e um restaurante.

“Temos de olhar para Espanha com ambição”

Seis anos depois de ter entrado em Barcelona com o Pestana Arena Barcelona, o grupo português não pretende ficar por aqui. Dentro de cerca de um ano, abrirá portas o Pestana Gran Vía, numa das principais artérias da capital espanhola. “Temos de olhar para Espanha com ambição. A nossa preocupação é fazer isso com bom senso”, admitiu José Roquette, quando questionado pelos jornalistas se pretendiam aterrar noutros destinos espanhóis, como as ilhas Baleares e Canárias.

Entre risos, Dionísio Pestana adiantou-se e referiu que esse era o sonho do administrador. Mas este esclareceu: “Nas ilhas vamos competir com cadeias maiores e com mais experiência. A seguir a esta etapa [Pestana Plaza Mayor] vamos estudar os próximos passos que são os destinos urbanos”, disse José Roquette, dando como exemplo Sevilha, Bilbau e, “obviamente”, as ilhas Canárias e as Baleares.

Depois de Londres, Berlim e Amesterdão, foi Madrid. O Pestana quer muito mais do que estas capitais europeias e do que os 15 países onde está presente. Em setembro deste ano, vai inaugurar o 100.º hotel do grupo em Nova Iorque, pouco tempo depois da inauguração do Pestana Churchill, em Câmara de Lobos, na Madeira.

Nos próximos três anos serão inaugurados outras 15 unidades hoteleiras, duas das quais em Lisboa e outras duas no Porto. “A internacionalização tem dado e mantido a competitividade. Mais do que uma ambição, [a internacionalização] é uma necessidade”, afirmou José Theotónio, CEO do Pestana.

(A jornalista viajou até Madrid a convite do Pestana Hotel Group)

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