Pestana alcança faturação recorde. Aeroporto de Lisboa e Brexit vão penalizar turismo

  • ECO
  • 14 Janeiro 2019

José Theotónio, ceo do grupo Pestana, diz que em 2019 haverá constrangimentos para o turismo provocados pelo Brexit e pelo aeroporto de Lisboa. Grupo teve receitas recorde de 400 milhões.

José Theotónio, presidente do grupo Pestana diz que o turismo em Portugal já está a ser penalizado pelo Brexit e pela limitação do aeroporto de Lisboa.

Em entrevista à Reuters, José Theotónio diz que “algum fluxo de britânicos está já a ser desviado para destinos não-euro, cujas moedas desvalorizam mais do que a libra — Turquia, Egipto e Tunísia”.

O gestor acredita, no entanto, que “em determinada altura, haverá bom senso e chegar-se-á a um acordo que evite um ‘hard Brexit’ (…) mas os hoteleiros portugueses vão ter de fazer algum ajustamento em baixa de preços para continuarem a ter o mercado inglês”.

Assim, para 2019, o presidente do maior grupo hoteleiro nacional perspetiva que “Portugal irá ter um ano com abrandamento de turistas e receitas face a 2018 porque nos principais destinos de resort — Algarve e Madeira — a concorrência dos tais mercados do Mediterrâneo Oriental não vai abrandar”.

O constrangimento do aeroporto de Lisboa afeta o turismo da capital, o de toda a zona centro do país, o do Alentejo, e o da Madeira e dos Açores pois muitos dos fluxos para as ilhas, que vêm da Europa, passam pelo ‘hub’ de Lisboa

A somar a estes constrangimento há ainda a limitação de capacidade do aeroporto de Lisboa. “Em termos de destinos de cidade, Lisboa, que tem procura de turistas e de novas companhias aéreas que queriam vir para cá, tem um grande problema: o aeroporto não tem capacidade, está esgotado”. Dai que “o destino Lisboa, com o crescimento que a oferta tem tido em termos hoteleiros, é natural que também arrefeça”.

José Theotónio elege mesmo a construção do novo aeroporto como a maior preocupação. “O constrangimento do aeroporto de Lisboa afeta o turismo da capital, o de toda a zona centro do país, o do Alentejo, e o da Madeira e dos Açores pois muitos dos fluxos para as ilhas, que vêm da Europa, passam pelo hub de Lisboa”, frisou.

Apesar destes constrangimentos, o grupo Pestana fechou o exercício de 2018, com um volume de negócios na ordem dos 400 milhões de euros, valor que compara com os 394 milhões de euros registados em 2017. Este resultado é mesmo o melhor de sempre do grupo, e foi suportado pela abertura de mais quatro hotéis ao longo do ano.

Já o EBITDA consolidado terá crescido para os 120 milhões de euros, mais seis milhões do que no ano anterior.

O grupo Pestana tem 94 hotéis espalhados por 14 países, sendo que 70% das suas receitas tem origem no mercado nacional.

José Theotónio diz ainda que “sim, acredito que em quatro a cinco anos estaremos nos 50%”. Para isso, o CEO do grupo conta com as aberturas já anunciadas de dois novos hotéis em Nova Iorque e dois em Madrid, a funcionarem em pleno, e um Pestana CR7 em Paris também já anunciado.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Pestana alcança faturação recorde. Aeroporto de Lisboa e Brexit vão penalizar turismo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião