Grupo Pestana preocupado com lotação do aeroporto de Lisboa. “Há procura, mas não temos possibilidade de a receber”, diz CEO

Madeira e Lisboa estão a ser mercados difíceis para o grupo, que fala em muita procura por parte dos turistas, mas poucas maneiras de estes cá chegarem. Sem novas aberturas, resultados caíam.

A Madeira e Lisboa estão a ser mercados difíceis para o Grupo Pestana, que fala nas dificuldades que os turistas têm para aterrar nestes destinos. Para o CEO da cadeia nacional, o problema na capital é ainda mais preocupante porque “o aeroporto está completamente esgotado”, logo, as companhias aéreas não têm capacidade para trazer todos os turistas pretendidos. Este cenário está a prejudicar as contas do grupo que, se não fosse pelo aumento do número de hotéis, veria uma queda ligeiras nos resultados deste ano.

“Portugal está estabilizado, o que não é mau, porque estamos nos melhores anos de sempre e estabilizar no alto é positivo. Mas, em termos de destinos de resort, estamos a sofrer a concorrência dos destinos do norte de África que abriram“, explica José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, em declarações aos jornalistas durante a inauguração do Pestana Plaza Mayor, em Madrid.

Na Madeira, onde a atividade da cadeia nacional se concentra, a falência da Germânia Airlines fez com que este destino perdesse cerca de 1.500 lugares semanais. “Os alemães hoje estão com dificuldades acrescidas em chegar à Madeira. A Alemanha era o segundo mercado para a Madeira. Mesmo que queiram ir, não têm forma de lá chegar”, continuou o responsável, explicando que o grupo está a “tentar aguentar os preços” porque, embora os turistas paguem mais pelas viagens, são as cadeias hoteleiras que ficam prejudicadas.

"O grande problema em Portugal é a questão do aeroporto de Lisboa, está completamente lotado. Há muitos atrasos e não é pelas companhias aéreas, é porque o aeroporto está completamente esgotado.”

José Theotónio

CEO do Grupo Pestana

Mas mais difícil do que a Madeira é Lisboa, onde “tem havido crescimento da oferta, mas não há possibilidade de aumentar a procura porque o aeroporto está esgotado”. “Há procura, mas não temos capacidade de a receber”, afirma José Theotónio, explicando que o grande problema do país é mesmo a questão do aeroporto que, ao estar “completamente lotado”, leva a muitos atrasos nos voos, sem culpa das companhias aéreas. “As companhias querem continuar a viajar e a aumentar as viagens, e o que fazem é aumentar as dimensões dos aviões porque os slots não é possível”. Perante este cenário, “Lisboa está também hoje a sofrer”.

José Theotónio, CEO do Grupo PestanaPaula Nunes/ECO

Este é um problema que está a afetar as contas do Pestana que, se não fosse pela abertura de novas unidades hoteleiras, veria uma queda ligeira nos resultados. “Este ano aguentamos o mercado, o que não é mau, mas devemos ficar iguais ao ano passado. Provavelmente vamos conseguir melhores resultados do que no ano passado, mas porque temos mais hotéis. É por crescimento orgânico e não por crescimento de mercado. Se fosse o mesmo número de hotéis, haveria quedas de cerca de 2% ou 3%“, revelou o CEO.

Já o Algarve “aguenta-se”, porque tem muitos voos low-cost e beneficia da proximidade com os destinos do norte de África, enquanto o Porto é “o único destino que continua a crescer”. Para este ano, o Grupo Pestana prepara já duas aberturas de hotéis na Invicta: uma pousada na Rua das Flores e o Pestana Douro Hotel, em Gondomar, num investimento de 20 milhões de euros.

(A jornalista viajou até Madrid a convite do Pestana Hotel Group)

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