Catalana Occidente entra na corrida à Tranquilidade

  • ECO Seguros
  • 24 Junho 2019

A sexta maior seguradora espanhola também entregou proposta vinculativa juntando-se à Ageas, Generali e Allianz, que foi a última a formalizar interesse

Os espanhóis da Catalana Occidente também apresentaram proposta vinculativa para a compra da Seguradoras Unidas que junta Tranquilidade, Açoreana e a Logo e que a Apollo Global Management está a pretender alienar. No entanto, não é apenas o valor da proposta que conta, é preciso ainda considerar o enquadramento regulamentar europeu e os limites colocados pela Autoridade da Concorrência que pode conferir morosidade à operação de alienação. E, neste caso, a Allianz com 10% de quota de mercado nacional será menos problemática que a Ageas, que detém 16,6% em relação a predominância de mercado. A Generali detém 5% e a Catalana está presente em Portugal em seguros de crédito através da Crédito y Caución . Contactada por ECO, a Seguradoras Unidas não confirma a receção da proposta da Catalana.

Dos quatro interessados na compra, a Allianz foi a última a fazê-lo já esta semana e após ter sido anunciado que tinha vendido ao Banco Santander, por perto de mil milhões de euros, a participação de 60% que detinha com o Banco Popular para comercialização de produtos seguradores no joint venture designada Allianz Popular e com forte ação em Espanha. O Banco Popular foi comprado em 2017 pelo Santander, que preferiu continuar com a Aegon como parceira nos seguros. Fontes do mercado indicam que este negócio fortaleceu a proposta da seguradora alemã à Seguradoras Unidas, que foi entregue uns dias após as outras três.

A Apollo quererá pela Seguradoras Unidas um mínimo de 600 milhões de euros, mas este valor poderá dilatar-se até perto de 1.000 milhões.

A surpresa neste processo foi a Catalana Occidente faz parte do Grupo empresarial com o mesmo nome e que obteve 4,3 mil milhões de euros de volume de negócios em 2018, sendo o sexto grupo segurador de Espanha e o segundo maior a nivel mundial em seguro de crédito. O grupo está presente em 50 países com cerca de 7300 empregados, mobilizando 18 mil mediadores e 4 milhões de clientes. Em relação interesse ibérico apenas se soube do interesse da Mutua Madrilena, da Santalucia e da Mapfre, todas não se concretizaram.

Outro concorrente, mas já conhecido, é a Ageas que atingiu, em 2018 um volume de negócios total de 2,2 mil milhões de euros, com o ramo Não Vida a ser responsável por 1.494 milhões e o ramo vida por 677 milhões. O lucro obtido foi de 101,1 milhões de euros, um progresso de 18,3% face ao ano anterior. O grupo, que adquiriu o negócio da Axa em Portugal em 2016, opera através de marcas conhecidas como a Ocidental e a Médis e, a partir de 2016, também a Ageas Seguros e a Seguro Directo. A Médis lançou, este ano, uma rede de clínicas dentárias próprias.

A Allianz Portugal nasceu em 1999 da fusão da Portugal Previdente e da Sociedade Portuguesa de Seguros, no quadro de uma vasta reorganização do Grupo Allianz. Em todo o mundo, após a tomada de controlo do Grupo AGF, Assurances Générales de France. Mas o grupo já se encontra indiretamente em Portugal desde 1932, quando passa a controlar a Riunione Adriatica di Sircutá (RAS), que incluía a Portugal Previdente. A seguradora emitiu em 2017 prémios brutos no valor de 735 milhões de euros.

A Generali, tal como a Ageas e a Allianz, é outro dos gigantes no mercado europeu de seguros, estando presente em mais de 60 países, com mais de 450 empresas, e cerca de 80.000 funcionários. Marca presença em Portugal desde 1942, tendo passado, desde 2015, a operar como empresa de direito português. Em 2017, em termos consolidados, o grupo Generali registou 68,5 mil milhões de euros em prémios brutos, tendo obtido um lucro líquido de 2,1 mil milhões de euros.

O grupo Seguradoras Unidas, que junta a Tranquilidade (ex-BES), Açoreana (ex-Banif) e Logo, obteve, no último ano, um lucro de 50,6 milhões de euros, quando, em 2017, registara 41,7 milhões de euros de prejuízo. É controlado pelo fundo norte-americano Apollo que comprou a Tranquilidade ao Novo Banco há três anos.

A norte-americana Apollo Global Management tem 15% dos seus investimentos aplicados nos setores segurador e financeiro. A larga maioria dos investidores do fundo localiza-se no Estados Unidos (63%), com a Europa a surgir, ainda que distante (14%). No final de 2018 a Apollo detinha ativos sob gestão no valor de 303 mil milhões de dólares.

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