CDS tem estratégia para reconversão profissional. IEFP tem de ensinar competências digitais

Os centristas apresentam uma nova medida que fará parte do programa eleitoral. Adolfo Mesquita Nunes explica que "não há nenhuma oferta no IEFP na área da economia digital".

O CDS quer adequar a formação profissional dada nos centros de formação e pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) às necessidades das empresas que procuram trabalhadores que saibam programação, robótica e digital. “Não há nenhuma oferta no IEFP na área da economia digital”, justifica ao ECO o coordenador do programa eleitoral dos centristas, Adolfo Mesquita Nunes.

A medida faz parte do conjunto de soluções do CDS para a formação profissional, destinada a reconverter trabalhadores já no ativo que estão desempregados ou que, tendo trabalho, querem adquirir novas competências profissionais. E será incluída no programa eleitoral que vai a votos nas legislativas de 6 de outubro.

Nesta área, o CDS propõe “criar a Via Digital, uma modalidade de formação para reconversão profissional à economia digital, incrementando, desenvolvendo e instituindo um “Plano de Formação para a Economia Digital””.

Os centristas chamam ainda a atenção para a necessidade de atualizar “urgentemente” o Catálogo Nacional de Qualificações, que junta os currículos na área da formação profissional, nomeadamente acrescentando competências na área digital.

O objetivo dos centristas é que a formação profissional esteja voltada para as necessidades da economia, nomeadamente nas indústrias exportadoras e na economia digital “e não mantê-la no seu atual grau de abstração”. “Só assim podemos ter trabalhadores com melhores salários e menos precariedade”, dizem os centristas.

"Não há nenhuma oferta no IEFP na área da economia digital.”

Adolfo Mesquita Nunes

A falta de mão-de-obra com as qualificações que as empresas procuram é apontada como um dos principais entraves ao crescimento económico. Um estudo conhecido esta semana da autoria da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) revela que, até 2030, no norte do país, vão ser criados 227 mil postos de trabalho e desaparecem 421 mil postos por causa da automação.

Centros e cursos com mais empregabilidade recebem apoio público mais rápido

Além destas soluções, o CDS quer ainda criar um ranking de empregabilidade que permite a quem escolhe a formação profissional saber quais as soluções que potenciam as garantias de emprego e que introduz concorrência entre os centros de formação e os cursos, para que seja possível medir se o dinheiro público ali investido está a ser bem aplicado.

Assim, o CDS propõe que seja publicitada a taxa de empregabilidade e a remuneração média do primeiro emprego para as modalidades de formação profissional desenvolvidas pelo IEFP e pelos centros de formação, de forma a avaliar o retorno do investimento e para conferir maior competitividade entre entidades. “Deve ser feito um ranking”, avança o CDS.

Esse ranking servirá para “criar vias verdes no acesso aos fundos por parte dos centros e cursos melhor avaliados, de modo a que esses cursos e centros não se vejam retidos pelo calendário e burocracia”, adianta o CDS.

Ainda no que respeita à formação profissional, o CDS quer:

  • Que os fundos para a formação não sejam desviados para financiar a falta de recursos nas escolas públicas.
  • Proibir cativações nesta área.
  • Que o IEFP publique dados atualizados sobre empregabilidade e salários médios das profissões.
  • Desenvolver o cheque-formação para dar liberdade de escolha aos formandos sobre o percurso a seguir.
  • Dar mais liberdade de escolha aos formandos e às empresas na escolha dos módulos de formação.

Esta é a quarta medida que o CDS apresenta do seu programa eleitoral.

 

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