Christine Lagarde será a primeira mulher à frente do BCE. E o primeiro líder não economista

A diretora-geral do FMI foi escolhida para assumir os comandos da política monetária da Zona Euro, passando a ser a primeira mulher a ocupar o cargo. É tida como defensora das políticas de Draghi.

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“No, no, no, no, no, no…”. Foi como, há pouco menos de um ano, Christine Lagarde reagiu quando questionada pelo Financial Times sobre a sua disponibilidade para ocupar um cargo de topo na Europa, fosse na Comissão Europeia ou no Banco Central Europeu (BCE). Mas a diretora-geral do Fundo Monetário Europeu (FMI) mudou de ideias. A francesa foi escolhida para substituir Mario Draghi que termina o mandato na presidência do BCE em outubro. Vai tornar-se assim na primeira mulher a assumir os comandos da política monetária da Zona Euro.

Os rumores sobre a possibilidade de Lagarde vir a substituir o italiano que ocupou a presidência do BCE nos últimos oito anos já circulavam há algum tempo, e ganharam força desde domingo, dia em que arrancaram as reuniões entre os responsáveis europeus para acertarem agulhas sobre as futuras escolhas para cargos de topo na União Europeia (UE). Nomeadamente, os presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, um responsável para política externa e outro para liderar as cimeiras do bloco.

A diretora-geral do FMI já reagiu à escolha do seu nome, dizendo estar “muito honrada por ter sido nomeada para a presidência” do BCE, segundo um comunicado divulgado pelo FMI.

“Em vista ao exposto, tendo consultado o Comité de Ética do Conselho de Administração, decidi deixar temporariamente as minhas funções de DG (diretora-geral) do FMI durante o período de nomeação”, declarou ainda Christine Lagarde, segundo a nota.

Responsáveis de Berlim deram conta de que Christine Lagarde tinha como sua fã Angela Merkel, mas o nome da líder do FMI terá sido indicado pelo presidente francês Emmanuel Macron após uma conversa com a Chanceler alemã que decorreu na segunda-feira à noite, segundo adiantaram responsáveis da UE.

Aos 63 anos de idade, Christine Lagarde já vai no segundo mandato de cinco anos à frente do FMI que termina a 2021, isto depois de ter entrado em 2011 para aquele organismo para substituir Dominique Strauss-Khan que se demitiu após ver-se envolvido num escândalo sexual.

Christine Lagarde não só será a primeira mulher a ocupar o cargo, como será o primeiro presidente da entidade responsável pela política monetária da Zona Euro que não é economista de formação — é advogada –, e o segundo com nacionalidade francesa: o primeiro foi Jean-Claude Trichet, antecessor de Draghi.

Mas ser a primeira mulher a ocupar um cargo de topo a nível mundial não é propriamente uma novidade para a francesa. Quando assumiu a direção do FMI, também foi a primeira mulher a fazê-lo.

Para entrar para o FMI, Lagarde deixou para trás seis anos no governo francês para onde entrou em 2005 para ser ministra do comércio internacional, saltando depois em 2007 para a pasta da agricultura e pescas. Nesse mesmo ano foi nomeada ministra das Finanças e da Economia, voltando a fazer história ao ser a primeira mulher de um país do G7 a ocupar aquela pasta.

Uma “pomba” para prolongar o voo de Draghi?

Apesar de não ter qualquer experiência em bancos centrais, como membro do G20, Christine Lagarde viu-se envolvida na gestão do grupo da crise financeira, tendo ajudado a acelerar as políticas internacionais relacionadas com a supervisão financeira e a regulação, tal como é possível ler na sua biografia publicada no site do BCE.

Ao decidir mudar-se de Washington para Frankfurt, Lagarde ganha como herança uma economia europeia possivelmente com uma dose fresca de estímulos monetários. Isto porque a expectativa é de que antes de deixar a presidência do BCE, Mario Draghi anuncie novos estímulos, incluindo o corte de juros para novos mínimos históricos, tal como se mostrou recentemente disponível a fazer com vista a puxar pela economia e inflação da Zona Euro.

Certo é que tem sido conhecido o apoio de Christine Lagarde à estratégia seguida por Draghi e ao seu gosto por uma política monetária agressiva e inovadora.

Recentemente, a ainda diretora-geral do FMI, descreveu a economia mundial como estando a atingir “um período difícil”, tendo aconselhado os bancos centrais a continuarem a ajustar as suas políticas em resposta a essa realidade. No passado, louvou o compromisso assumido por Mario Draghi em 2012 de “fazer o que for preciso” para salvar o Euro e deu ainda eco aos pedidos do italiano para que os governos da Zona Euro fizessem mais com vista a combater futuras crises.

No percurso até Frankfurt, Christine Lagarde deixou para trás diversos candidatos tidos como traçados para assumir a presidência do BCE. Entre eles, Jens Weidmann, governador do Banco da Alemanha, Erkki Liikanen e Olli Rehn, antigo e o atual governador do Banco da Finlândia, François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França, Klaas Knot, governador do Banco da Holanda e Benoit Coeuré, membro da comissão executiva do BCE.

Todos eles com experiência e reconhecimento na área da política monetária, critérios considerados como regra para assumirem a presidência do BCE. A regra é que também seja um cidadão nacional de um Estado-membro do euro. Christine Lagarde respeita esse último critério.

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