Saco azul do BES financiou Cavaco Silva com 253 mil euros

  • ECO
  • 4 Julho 2019

Dez altos quadros do GES são suspeitos de financiamento ilegal à candidatura de Cavaco às Presidenciais, escreve a Sábado. DCIAP já investiga. Crime de financiamento ilegal dá 1 a 3 anos de prisão.

Dez altos responsáveis do Grupo Espírito Santo são suspeitos de terem combinado um esquema de financiamento ilegal à candidatura de Cavaco Silva, nas Presidenciais de 2011, noticia esta quinta-feira a revista Sábado (acesso pago). Este esquema teria como objetivo contornar a lei portuguesa sobre o financiamento de campanhas eleitorais, que só permite donativos até um certo valor e concedidos por pessoas individuais, nunca por empresas ou entidades coletivas.

Segundo a investigação da revista aos fluxos financeiros da ES Entreprises, o chamado “saco azul” do Banco Espírito Santo, a Sábado identificou vários casos em que aqueles gestores do BES deram donativos em nome individual à candidatura do antigo primeiro-ministro e antigo Presidente da República, donativos esses, que todavia, eram de uma entidade coletiva: os gestores foram reembolsados pela ES Entreprises até ao último cêntimo de cada doação.

Atualmente, o DCIAP encontra-se a investigar este esquema, suspeitando que os gestores do BES envolvidos tenham incorrido no crime de financiamento ilegal de campanhas eleitorais, crime cuja moldura penal varia entre um e três anos de prisão.

Ao todo, estão em causa 253 mil euros em doações a Cavaco Silva assinadas por Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo Silva, Rui Silveira, Joaquim Goes, António Souto, Amílcar Morais Pires, Pedro Fernandes Homem, Manuel Fernando Espírito Santo Silva e António Ricciardi.

A investigação da Sábado refere que em alguns casos os valores dos cheques de cada gestor atingiram os 25.600 euros, valor máximo permitido por lei para estas doações individuais, e que noutros casos o montante foi arredondado para os 25 mil euros certos. Ao todo, o clã dos Espírito Santo deu 253.360 euros a Cavaco Silva, quase metade dos donativos previamente orçamentados pela campanha do ex-líder do PSD.

Seguindo o rasto ao dinheiro, a revista identificou então que em causa estava um esquema que serviu para ocultar que o real “benemérito” de Cavaco Silva era uma entidade coletiva, e logo aquela que é hoje conhecida como o “saco azul” do BES, a ES Entreprise. A Sábado aponta que os gestores do BES, depois de entregarem os donativos foram ressarcidos pelo exato valor pela ES em valor idêntico, e em alguns casos através de offshores, num esquema preparado pelo próprio Ricardo Salgado.

Ouvido pela Sábado, José Manuel Espírito Santo admitiu ter avançado com donativos para campanhas eleitorais, mas recusou a ideia de ter participado em qualquer “esquema” que resultasse em ser reembolsado por cada contribuição. A revista tentou ouvir Cavaco Silva, tanto por telefone como por email, mas o ex-Presidente não respondeu até ao fecho da edição.

A ES Entreprises é a sociedade referenciada nos processos Operação Marquês e no caso EDP como tendo sido a origem do dinheiro oferecido por Ricardo Salgado a Zeinal Bava, José Sócrates ou Manuel Pinho. No ano da candidatura de Cavaco Silva em causa, 2011, o BES registou prejuízos de 109 milhões de euros, mas Cavaco ganhou.

(Atualizada às 11h40 com mais informações)

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