Reino Unido vai usar Alexa da Amazon para dar conselhos médicos

  • Lusa
  • 10 Julho 2019

O serviço de saúde britânico está a trabalhar com a assistente de voz Alexa, serviço da Amazon, para responder a questões médicas. Objetivo é ajudar aqueles que têm dificuldade em aceder à Internet.

O serviço de saúde britânico está a trabalhar com a assistente de voz Alexa, serviço da Amazon, para responder a questões médicas com o apoio do ‘site’ oficial, foi anunciado esta quarta-feira.

O Governo britânico explicou que o sistema irá ajudar as pessoas a obterem uma rápida e correta informação sobre saúde, com maior impacto nos cidadãos mais idosos, invisuais.

Além disso, irá ajudar aqueles que têm dificuldade em aceder à Internet, além de atenuar a pressão sobre os médicos.

Através dos algoritmos da Amazon, o serviço de voz Alexa poderá responder a questões colocadas pelos utilizadores sobre doenças comuns como constipação ou varicela com informação verificada pelo Serviço Nacional de Saúde britânico.

Este é uma parte do plano de modernização do Governo britânico para fornecer mais serviços de saúde digitais.

“Queremos capacitar cada doente a ter um melhor controlo dos seus cuidados de saúde”, afirmou o secretário da Saúde, Matt Hancock, citado pelas agências.

Por sua vez, os defensores da proteção de dados consideraram que tornar mais fácil o acesso das pessoas a aconselhamento médico é um passo na direção certa, mas manifestaram receios relativamente à parceria e suas implicações.

“A Amazon é uma empresa com um histórico preocupante no que respeita ao tratamento de dados dos seus utilizadores”, afirmou Eva Blum-Dumontet, uma investigadora do Privacy International.

“A nossa informação médica é, na sua maioria, informação sensível sobre nós e muito pode ser inferido a partir de questões que colocamos e das pesquisas que fazemos quando temos preocupações relativas à saúde”, apontou.

As preocupações relativas à assistente de voz surgem na sequência de relatórios que apontam que serviços como a Alexa estão a ouvir e a gravar conversas nos lares.

Tal decorre da entrada em junho de um processo num tribunal federal norte-americano a acusar a Amazon de violar leis em oito Estados por gravar crianças sem consentimento e através dos dispositivos Alexa.

A Amazon voltou a assegurar esta quarta-feira aos seus utilizadores que a sua informação será mantida confidencial e não será partilhada com terceiros, nem usada para venda de produtos ou para desenhar um perfil de saúde.

“A confiança dos clientes é o mais importante e a Amazon leva a privacidade muito a sério”, refere a tecnológica num comunicado, em que acrescenta que são os utilizadores que controlam o histórico das suas interações e que podem apagar as gravações.

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