Créditos pessoais estão em níveis pré-crise. E mais caros

Número de novos contratos de crédito pessoa superou os registados em 2010, antes da chegada da troika. Cada vez mais são pedidos nas financeiras, o que acaba por sair mais caro que nos bancos.

O recurso ao crédito ao consumo registou um novo máximo no ano passado, uma dinâmica que foi suportada pelo crescimento do crédito automóvel, num contexto de aumento das vendas de veículos. Mas esta tendência é explicada também pelos créditos pessoais, tendo o número de novos contratos superado, pela primeira vez, o máximo atingido em 2010, antes da chegada da troika a Portugal. Há cada vez mais, com as financeiras a ganharem peso nestes empréstimos o que, diz o Banco de Portugal, está a sair caro às famílias.

Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2018, foram celebrados 39.759 contratos de crédito pessoal, em média por mês no ano passado, registando um crescimento de 10,1%. Esse universo abrange, para além dos empréstimos para educação, outros créditos pessoais sem uma finalidade específica onde encaixam por exemplo a compra de equipamentos para o lar, como eletrodomésticos, ou viagens. Muitas vezes, são apenas solicitados como solução de último recurso para suprir necessidades financeiras.

“O número médio de novos contratos de crédito pessoal ultrapassou pela primeira vez em 2018 o valor registado em 2010 (38.122 contratos), ano que precedeu a contração do mercado de crédito aos consumidores”, diz o Banco de Portugal, cujos dados revelam que o ano passado foi o sexto consecutivo de aumento destes créditos. Em 2011, o número de novos contratos foi uma média mensal de 30.591, uma contração de 20% face ao ano anterior. De salientar que 2011 foi o ano em que Portugal pediu assistência financeira à troika.

Relativamente ao número de contratos de crédito pessoal celebrados em 2018, estes foram responsáveis por um total de 3.157 milhões de euros de financiamento, com o seu peso no total de crédito concedido aos consumidores a aumentar para 42,9% (42,2%, em 2017). “No número de contratos celebrados, a importância relativa do crédito pessoal também aumentou (de 28,8%, em 2017, para 30,9%, em 2018)”, refere ainda o relatório.

A existência de um número crescente de contratos de crédito pessoal acontece quando em Portugal ainda se recupera dos níveis recorde de incumprimento das famílias durante a crise financeira. Os últimos números relativos a março mostram que existiam 413 mil famílias em incumprimento com o crédito ao consumo. Ou seja, 11% do número de famílias que tinham crédito ao consumo.

A maioria do crédito pessoal continuou a ser concedido pela banca tradicional em 2018, mas as financeiras especializadas conquistaram terreno. As instituições “com atividade universal” como é referido pelo relatório do Banco de Portugal foram responsáveis pela concessão de 68,3% do crédito pessoal, uma proporção que fica aquém dos 71,7% que se verificaram em 2017. “Em contrapartida, a importância das instituições com atividade especializada no total de crédito pessoal concedido aumentou, de 28,3%, em 2017, para 31,7%, em 2018”, diz o regulador da banca.

A entidade liderada por Carlos Costa fala num “crescimento significativo do montante de crédito concedido pelas instituições com atividade especializada (mais 25,2%), quando comparado com as instituições com atividade universal (mais 6,6%)”, que acaba por ser prejudicial para as famílias portuguesas.

Do ponto de vista do consumidor, essa orientação para as instituições de crédito especializadas tem contudo um custo acrescido. “A TAEG média praticada pelas instituições com atividade especializada no crédito pessoal foi, em todos os trimestres de 2018, superior à TAEG média praticada pelas instituições com atividade universal”, revela o Banco de Portugal. Estas diferenças variaram entre 1,2 e 1,6 pontos percentuais, concretiza aquela entidade que diz ainda que esses valores se assemelham a verificado em 2017.

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