Spread da casa caiu para 1,5% em 2018. Créditos a taxa variável ganharam peso com juros em mínimos

O spread médio dos contratos a taxa variável e indexados à Euribor a 3, 6 e 12 meses foi de 1,51 pontos percentuais, 23 pontos base abaixo do spread médio de 2017.

A “guerra” dos bancos foi proveitosa para quem fez um crédito para comprar casa no ano passado. O spread médio aplicado nos novos contratos de crédito à habitação caiu para 1,51 pontos percentuais, revelou o Banco de Portugal nesta quinta-feira. Ao mesmo tempo as famílias não se deixaram cativar pelos empréstimos de taxa fixa, com a aposta na taxa variável a ser reforçada.

“O spread médio voltou a diminuir em 2018, mantendo-se a tendência de redução que se verifica desde 2015″, começa por referir o regulador da banca no Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2018. De acordo com aquela entidade, o spread médio dos contratos a taxa variável e indexados à Euribor a 3, 6 e 12 meses foi de 1,51 pontos percentuais, 23 pontos base abaixo do spread médio de 2017. Daí que a TAN média aplicável a esses contratos se tenha situado nos 1,33%, abaixo dos 1,55% em 2017.

Esse corte no spread médio ocorreu num ano marcado por consecutivas revisões em baixa nas margens mínimas exigidas pelos bancos para financiar a compra de casa. Comportamento que tem tido seguimento este ano e que colocou atualmente no intervalo entre 1% e 1,25% as margens mínimas exigidas para dar crédito à habitação.

Ao fazerem estes cortes os bancos têm como objetivo impulsionar a concessão de crédito num ambiente de juros mínimos históricos. Em 2018, acabaram por conceder 9,5 mil milhões de euros de crédito à habitação, por intermédio de 87.906 novos contratos. Ou seja, aumentos de 23,4% e 13,4%, respetivamente, face ao verificado em 2017.

Taxa variável ganha adeptos. Euribor a 12 meses com 93,8% dos contratos

Já no que respeito ao tipo de contrato, a taxa variável não só concentrou a grande parte do crédito à habitação celebrado, como até reforçou importância. A proporção do número de contratos celebrados a taxa variável aumentou para 85,9%, acima dos 81,3% registados em 2017, correspondendo a 87,8% do montante de crédito concedido (83,2% em 2017). Isto num contexto de mínimos históricos nos juros.

O grosso das operações de financiamento para a compra de casa a taxa variável foi feito com Euribor a 12 meses, indo ao encontro da oferta da banca que na sua maioria apenas disponibiliza esse indexante. “Dos contratos celebrados a taxa variável, a generalidade (93,8%) estava indexada à Euribor a 12 meses, tendo a importância deste indexante aumentado, face a 2017 (92,5%)”, diz o Banco de Portugal.

“A prevalência da Euribor a 12 meses ocorre num contexto em que, apesar das ligeiras subidas, as taxas de juro Euribor a 3, 6 e 12 meses se mantiveram em valores negativos durante todo o ano de 2018″, contextualiza a entidade liderada por Carlos Costa.

Em contrapartida, diminuiu o peso dos contratos celebrados a taxa mista (de 16,9%, em 2017, para 12,3%, em 2018), enquanto o peso dos contratos a taxa fixa não se alterou (1,8%), com as famílias a não se deixarem tentar pelas campanhas de taxa fixa promovidas pelos bancos.

Já o prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação aumentou um mês, para 33,4 anos, indo em contraciclo com os objetivos do Banco de Portugal que no âmbito da medida macroprudencial que entrou em vigor a 1 de julho do ano passado incluiu a descida das maturidades dos empréstimos como um requisito a seguir pelos bancos.

(Notícia atualizada às 14h00 com mais informação)

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