BCP afunda em bolsa. Juros do BCE pressionam

O banco liderado por Miguel Maya até apresentou um aumento do lucros, mas os investidores estão a penalizar os títulos com receios quanto ao impacto dos juros do BCE na margem financeira.

O BCP deu um trambolhão em bolsa. As ações do banco afundaram quase 6%, pressionando a bolsa nacional num dia negativo para a generalidade dos índices europeus. Apesar de ter anunciado um crescimento dos lucros, os títulos estão a ser castigados pelos receios dos investidores quanto à deterioração das margens fruto da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

Os títulos do banco arrancaram a sessão, a primeira após a apresentação das contas do primeiro semestre, em queda. Chegaram a cair mais de 4% nos primeiros minutos da negociação, mas rapidamente acentuaram a tendência negativa, encerrando a desvalorizar 5,99% para 23,55 cêntimos.

BCP afunda quase 6%

Os títulos estiveram a perder, durante a sessão, um máximo de 7%, para 23,29 cêntimos, o valor mais baixo desde o final de março, mesmo depois de o banco liderado por Miguel Maya ter anunciado um aumento dos lucros para 170 milhões de euros na primeira metade do ano.

A reação negativa prende-se com a margem financeira. A margem financeira, que traduz a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e pagos nos depósitos, do BCP subiu 7,6% para 740,1 milhões, mas as perspetivas não são animadoras.

Os investidores estão a antecipar o impacto negativo nas margens resultante da política monetária do BCE. As taxas estão em mínimos históricos, mas Mario Draghi abriu a porta a novos cortes, atirando os juros do mercado para níveis ainda mais negativos do que os atuais.

Tendo em conta que a maioria dos empréstimos, nomeadamente para a compra de casa, estão indexados a taxas variáveis, uma descida mais acentuada das Euribor vai impactar negativamente na margem financeira dos bancos, tornando mais difícil conseguirem aumentar os resultados líquidos.

(Notícia atualizada às 16h58 com as cotações do fecho da sessão)

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