BCP dá trambolhão de 6% e mergulha Lisboa na pior sessão do ano

O PSI-20 desvalorizou perto de 2%, num dia marcado por fortes perdas nas bolsas europeias, mas condicionado pelo tombo das ações do BCP que reagiram de forma negativa aos resultados do banco.

O BCP deu um trambolhão, a bolsa lisboeta não resistiu e selou a pior sessão do ano. As ações do banco afundaram 6%, pressionando a bolsa nacional num dia que foi negativo para a generalidade dos índices europeus. Apesar de ter anunciado um crescimento dos lucros, os títulos foram castigados pelos receios dos investidores quanto à deterioração das margens fruto da política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

O PSI-20 registou a quinta sessão consecutiva de perdas, desvalorizando 2,05%, para os 5.029,67 pontos, o pior registo diário desde 19 de dezembro. Na Europa, as perdas dos principais índices rondaram entre os 1,5% e os 2%.

O BCP foi a cotada lisboeta que mais sobressaiu pelas piores razões. As suas ações terminaram a desvalorizar 5,99%, para os 23,55 cêntimos, o pior registo do PSI-20. Mas chegaram a cair mais de 7%, para 23,29 cêntimos, o valor mais baixo desde o final de março, mesmo depois de o banco liderado por Miguel Maya ter anunciado um aumento dos lucros para 170 milhões de euros na primeira metade do ano.

BCP afunda 6% em bolsa

A reação negativa prendeu-se com a margem financeira. A margem financeira, que traduz a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e pagos nos depósitos, do BCP subiu 7,6% para 740,1 milhões, mas as perspetivas não são animadoras. Os investidores estão a antecipar o impacto negativo nas margens resultante da política monetária do BCE. As taxas estão em mínimos históricos, mas Mario Draghi abriu a porta a novos cortes, atirando os juros do mercado para níveis ainda mais negativos do que os atuais.

Não bastasse o BCP, a maré vermelha inundou a quase totalidade dos títulos cotados no PSI-20. Apenas a Corticeira Amorim escapou, tendo visto as suas ações somarem 0,41%, para os 9,74 euros.

Entre as maiores perdas destaque ainda para os CTT. A empresa dos Correios tombou 3,7% em bolsa, com as suas ações a fecharem abaixo dos dois euros pela primeira vez: nos 1,929 euros. Esse deslize acontece depois de a operadora postal ser obrigada pela Anacom a cortar preços devido ao incumprimento de dois indicadores de qualidade do serviço.

Na energia, a sessão também foi marcada por fortes quedas. As ações da EDP recuaram 2,01%, para os 3,313 euros, enquanto a sua participada EDP Renováveis perdeu 1,5%, para os 9,21 euros por ação. Já a Galp Energia que apresentou contas na segunda-feira também não resistiu. As ações da petrolífera desvalorizaram 0,99%, para os 14,01 euros.

A Sonae e a Navigator também figuraram entre os piores registos da praça bolsista nacional. Os títulos da retalhista perderam 2,05%, para os 83,75 cêntimos, enquanto as da papeleira recuaram 2,22%, para os 3,086 euros.

(Notícia atualizada às 16h55)

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