Serviços mínimos e requisição civil genericamente cumpridos, mas 11 motoristas já foram notificados por incumprimento

Ministério do Ambiente e da Transição Energética convocou conferência para fazer ponto de situação ao segundo dia de greve dos motoristas. Postos no Algarve ainda abaixo do aceitável, mas a recuperar.

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, assegurou ao final da tarde desta terça-feira que o segundo dia da greve de motoristas “correu sem sobressaltos de maior”, apontando que os “serviços mínimos foram genericamente cumpridos e que a requisição civil foi cumprida com rigor”. O governante, acompanhado de João Galamba, secretário de Estado da Energia, fez um ponto de situação à evolução dos impactos da greve dos motoristas.

De acordo com o ministro, os níveis de abastecimento na rede de emergência vista como um todo apresentam valores aceitáveis, apesar de, no Algarve, ainda ser necessário reforçar os stocks das bombas, razão pela qual ainda decorrerá esta terça-feira um terceiro turno com camiões cisterna conduzidos por forças de segurança a partir de Sines, para reforçar a oferta nestas bombas.

Segundo os números avançados na conferência, a rede REPA passou de 38% de abastecimento de gasóleo para 49% desde as 18h00 de segunda-feira e as 18h00 desta terça-feira, com os níveis de gasolina a evoluírem de 46% para 51%. Matos Fernandes considerou estes “valores aceitáveis”, mas destacou que a análise à região algarvia ainda mostra um cenário diferente: “Houve uma melhoria, mas não o suficiente.”

Os números apresentados apontam que, a Sul, o gasóleo disponível nos postos REPA passou de 23% para 29% no mesmo período, e os de gasolina de 22% para 27%. Esta evolução, explicou o governante, deveu-se ao facto de, apesar do total de abastecimentos ter aumentado, também se ter verificado uma procura tão grande quanto o reforço da oferta.

Além da região algarvia, também o aeroporto de Lisboa será alvo de um terceiro abastecimento, já que ao final da tarde apresentava uma capacidade de 54,5%, depois de ao longo do dia ter sido abastecido com “cargas em número normal”, apontou o governante.

Os reforços da região algarvia e do aeroporto serão assegurados ainda esta terça-feira por oito equipas de forças de segurança, detalhou ainda Matos Fernandes. Ao longo do dia, um total de dez equipas esteve empenhada no reforço dos stocks, apontou ainda, quatro das Forças Armadas e seis da GNR.

14 incumprimentos da requisição civil

Apesar da requisição civil ter sido cumprida genericamente, o ministro revelou também que identificou 14 trabalhadores que não cumpriram a requisição civil, dos quais onze já foram devidamente notificados. “Há registo de 14 trabalhadores que não cumpriram a requisição civil e a 11 já foi feita devida notificação”, apontou Matos Fernandes.

A propósito destes motoristas, o ministro detalhou que três casos se verificaram no distrito de Faro, quatro em Lisboa e três em Setúbal, e todos diziam respeito a profissionais que alegaram baixa médica. Já à PSP chegaram quatro queixas, uma delas em Setúbal. Os outros três casos ainda estão por localizar, referiu.

Ainda durante o primeiro dia da paralisação de motoristas o Governo optou por recorrer à requisição civil, ainda que não de forma generalizada, já que procurou salvaguardar apenas o abastecimento do aeroporto de Lisboa, as saídas de combustível a partir de Sines para o sul do país, os postos da rede de emergência e as unidades de distribuição de gás natural liquefeito. A opção do Executivo valeu-lhe porém várias críticas, sobretudo de sindicatos, mas também do Bloco de Esquerda.

Antram lamenta incumprimentos

O porta-voz da Antram, André Matias de Almeida, confirmou à Lusa as 14 situações, lamentou-as profundamente e disse esperar que “não se repita por estes ou outros trabalhadores porque constitui um crime de desobediência”.

Matias de Almeida disse esperar que tenha sido um caso isolado, explicando que é preciso perceber também os motivos pelos quais estes trabalhadores incumpriram a requisição civil.

“A última coisa que as empresas e a Antram querem é acusar criminalmente ou disciplinarmente os seus trabalhadores. A única coisa que desejamos é que o ambiente pudesse ser de paz social”, garantiu.

(Notícia atualizada pela última vez às 21h25 com mais informações)

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