Greve na Ryanair: normalidade mantém-se ao segundo dia

Tripulantes receberam a garantia do ministro das Infraestruturas que a "Ryanair vai ser chamada à atenção" pelas alegadas ilegalidades cometidas pela companhia.

Ao segundo dia de greve Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), a operação da irlandesa Ryanair continua a funcionar dentro da normalidade. Isto numa altura em que os tripulantes de cabine falam de uma adesão à greve na ordem dos 80% e continuam a acusar a companhia aérea de violar a lei portuguesa, nomeadamente a lei da greve através da substituição dos grevistas por trabalhadores de outros países.

Pelas 8H30 desta quinta-feira, a companhia aérea tinha realizado praticamente todos os voos de e para os principais aeroportos do Continente. Exceção apenas, de acordo com o site da ANA – Aeroportos de Portugal, para uma ligação entre o Porto e Milão, que deveria ter deixado a Invicta às 6H25 e que está agora programado para as 13H50. Até ao momento não foi possível determinar se o atraso está, ou não, relacionado com a greve dos tripulantes.

Na quarta-feira, à saída de uma reunião no Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH), a presidente do SNPVAC, Luciana Passo, afirmou ter recebido a garantia, por parte de Pedro Nuno Santos, a “Ryanair vai ser chamada à atenção” sobre alegadas irregularidades cometidas durante a paralisação que termina apenas no domingo.

O encontro entre o SNVPAC e o ministro das Infraestruturas acontece depois de os tripulantes terem acusado a companhia aérea de estar a violar a lei da greve, nomeadamente ao substituir grevistas por trabalhadores de bases estrangeiras.

“O senhor ministro ouviu-nos com enorme atenção e assegurou-nos várias coisas, a primeira delas e mais importante: a Lei portuguesa é para ser cumprida e sobre isso não há volta a dar”, afirmou Luciana Passo no final do encontro, em declarações citadas pela Lusa, garantindo que o ministro das Infraestruturas também terá concordado que “a substituição de grevistas é intolerável”.

Ainda de acordo com a presidente do SNPVAC, Pedro Nuno Santos terá contacto outros membros do Executivo “para começarem, com as entidades competentes, a trabalhar no sentido de acabar com essa substituição de grevistas”. Em causa estará o contacto com Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Segurança Social, que tutela a Autoridade para as Condições de Trabalho, a quem compete garantir o cumprimento da Lei da Greve.

Luciana Passo acusa a companhia aérea irlandesa, que enfrenta a contestação dos trabalhadores em vários países europeus, de ter duplicado os serviços mínimos decretados pelo Governo. A presidente do SNPVAC explica que a Ryanair terá “coagido” trabalhadores que desconheciam a verdadeira lista de serviços mínimos a apresentarem-se ao trabalho, sob a ameaça de poderem entrar em incumprimento face ao determinado pelo Governo.

Segundo a sindicalista, os trabalhadores “tinham dúvidas, tiveram medo de faltar aos serviços mínimos impostos pela Ryanair, e, portanto, acabou por ter uma operação em duplicado”.

Luciana Passo terá ainda recebido “uma garantia” por parte de Pedro Nuno Santos que a companhia aérea iria pôr fim às violações à lei da greve antes do final da paralisação. .

Na agenda da reunião entre o SNPVAC e o MIH esteve ainda o previsto encerramento da base da Ryanair em Faro, tendo os tripulantes recebido a garantia de que os interesses dos trabalhadores da base do Algarve “vão ser acautelados pelo Governo”.

O encontro aconteceu no mesmo dia em que Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, esteve reunida com a Ryanair, em Dublin, Irlanda, para debater “a competitividade” do aeroporto de Faro, nem como o alargamento da presença da companhia aérea ao Funchal.

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