“O sagaz” Mr. Costa recebe elogios do Financial Times

No editorial deste domingo, o jornal britânico apresenta Portugal como um exemplo para a Europa e diz que Costa deve continuar o caminho de “prudência orçamental”, mas sem uma “austeridade punitiva”.

Portugal’s bright outlook offers Europe some hope”. A tradução será qualquer coisa como “Perspetivas brilhantes para Portugal oferecem à Europa alguma esperança”. Este é o título do editorial do Financial Times [conteúdo pago] que tece rasgados elogios a Portugal, a António Costa e à coligação à esquerda que governa o país.

O jornal britânico começa por traçar um cenário negro na Europa: a Alemanha que se prepara para entrar em recessão, a Itália que está de candeias às avessas com Bruxelas e o Reino Unido que se prepara para uma “desastrosa” saída sem acordo da União Europeia, isto tudo num contexto de intensa guerra comercial entre os EUA e a China.

O Financial Times olha para o lado à procura de algo positivo na Europa e descobre Portugal que, ainda na semana passada, foi alvo de um “upgrade” na qualidade da dívida por parte da agência Moody’s. O que de bom se passa em Portugal, considera o FT, é um mix de “escolhas políticas acertadas” e “uma boa dose de sorte”.

Lembra o jornal que o primeiro-ministro ainda tem um problema grave para resolver — um rácio da dívida pública superior a 100% do PIB, — mas escreve que António Costa “tem razões para estar mais otimista do que muitos outros líderes europeus”.

O FT refere que a aliança com o Bloco de Esquerda para assegurar a governação foi vista com desconfiança por muitos em 2015 mas, “contrastando com a Itália, a coligação permanece estável e funcional”. Recorda que o défice orçamental deverá chegar a zero no final do ano e que o desemprego caiu para 6,7%, o que compara com os 14% da vizinha Espanha. Lembra ainda “a baixa taxa de criminalidade no país” e o bom clima, fatores apelativos para imigrantes e investidores estrangeiros.

A publicação, contudo, não dá os créditos todos à geringonça. Afirma que o boom no turismo teve um papel importante na recuperação do país e sublinha o trabalho do governo anterior de centro-direita que tomou “as medidas difíceis, mas necessárias”, tendo implementado um programa de austeridade entre 2011 e 2014, em troca de um resgate de 78 mil milhões de euros.

O Financial Times defende que o “sagaz” Mr. Costa beneficiou da herança do centro-direita, apesar de ele próprio se apresentar como um candidato anti-austeridade. Lembra que os críticos de António Costa o acusam de ter cortado no investimento e de ter aumentando os impostos indiretos para baixar os impostos diretos sobre o rendimento.

Nem tudo é um mar de rosas no editorial do FT que recorda as reivindicações dos funcionários públicos que exigem uma melhoria de salários e até a recente greve de camionistas que quase esvaziou as bombas de combustíveis em Portugal.

O jornal britânico antecipa uma vitória de Costa nas legislativas de outubro, em coligação, ou mesmo com maioria absoluta.

“Ele [António Costa] deve continuar o caminho da prudência orçamental, mas sem a austeridade punitiva. O primeiro-ministro também deve encetar reformas mais profundas na Administração Pública”, acrescendo também que “ainda há trabalho a fazer no setor bancário”. São estes os conselhos do FT para Portugal que conclui que, “numa altura de tempestade na economia mundial, Portugal deve ter uma visão clara do seu futuro e da sua estratégia económica”.

Comentários ({{ total }})

“O sagaz” Mr. Costa recebe elogios do Financial Times

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião