Catarina sobe o tom na resposta a Costa: “Desejo de uma maioria absoluta pode levar à arrogância”

Catarina Martins já leu a entrevista completa onde António Costa ataca o Bloco. E atualizou as declarações que fez ao ECO no âmbito da entrevista a publicar segunda. Líder do BE fala em "arrogância".

“O desejo de uma maioria absoluta pode levar à arrogância e à tentação de fazer caricaturas”. Depois de ler a entrevista completa do primeiro-ministro ao Expresso, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, atualiza as declarações que na sexta-feira tinha feito ao ECO, no âmbito de uma entrevista a publicar na segunda-feira, e endurece o tom da reação às palavras de António Costa.

Catarina Martins vinca a diferença face a António Costa: “Prefiro a humildade de reconhecer o caminho que fizemos e discutir as diferenças que apresentamos para o país” e garante que o Bloco não é gerador de ingovernabilidade, como Costa diz na entrevista. “O Bloco é um fator de estabilidade e segurança na vida das pessoas, no seu salário e na garantia de que se pode viver melhor. Creio que ninguém duvida disso”, acrescenta ao ECO.

Na sexta-feira, quando o ECO entrevistou a líder do Bloco de Esquerda na sede do partido, na Rua da Palma, em Lisboa, Catarina Martins contra atacou António Costa perante as primeiras declarações do chefe do Governo que o Expresso antecipou para essa manhã. Costa classificou o Bloco como um partido de mass media – “Há um amigo meu que compara o PCP ao Bloco de uma forma muito engraçada. O PCP é um verdadeiro partido de massas, o Bloco é um partido de mass media. E isso torna os estilos de atuação diferentes”.

Catarina Martins respondeu então que “os partidos políticos ganham em respeitar-se, em respeitar as diferenças que temos, em respeitar as pessoas que confiam em nós e que estão nos partidos. É bastante melhor do que fazer caracterizações mais ou menos caricaturais uns dos outros, que não ajuda ninguém”.

Mas o tom da líder da Bloco foi cauteloso. Afinal de contas a entrevista ainda não tinha sido publicada na íntegra. Esta manhã, a entrevista completa não deixava margem para dúvidas. O ataque mais duro era ao Bloco, com o chefe do Governo a falar em “ingovernabilidade” caso o Bloco reforce a sua posição nas eleições de 6 de outubro.

A pouco mais de um mês das legislativas e com sondagens que põem em cima da mesa um cenário que pode levar os partidos à esquerda a voltar a negociar um programa de Governo, o clima de campanha eleitoral aquece.

O ECO antecipa assim uma pequena parte da entrevista que será publicada integralmente na segunda-feira, a primeira depois da divulgação do programa eleitoral este sábado. Nela, Catarina Martins fala sobre as prioridades do programa com que vai às urnas, os temas chave em possíveis negociações para uma solução de governo e também sobre como deve ser quem estiver à frente do Ministério das Finanças na próxima legislatura.

(Notícia atualizada com novas declarações de Catarina Martins ao ECO que atualizam as primeiras e que servem de reação à publicação completa da entrevista do primeiro-ministro ao jornal Expresso)

 

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Catarina sobe o tom na resposta a Costa: “Desejo de uma maioria absoluta pode levar à arrogância”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião