Lagarde defende orientação seguida por Draghi no BCE

  • Lusa
  • 29 Agosto 2019

Em resposta por escrito às perguntas do Parlamento Europeu, a futura presidente do BCE defendeu a política seguida pelo seu antecessor e que ainda há margem para fazer mais.

A futura presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou-se favorável à continuação da política de apoio à economia da zona euro que o BCE tem seguido com Mario Draghi, apesar das críticas que tem suscitado.

“É claro que a política monetária precisa de continuar muito acomodatícia num futuro próximo”, afirmou Lagarde, em respostas por escrito enviadas ao Parlamento Europeu e publicadas hoje, no quadro do processo de validação da sua nomeação.

Lagarde acrescentou que o BCE ainda não atingiu “o mínimo” da sua política em matéria de taxas de juro.

A atual diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que, nos últimos anos, a inflação tem ficado abaixo do nível pretendido pelo BCE, apesar de as medidas adotadas pelo banco central sob a liderança de Mario Draghi terem permitido afastar a ameaça de deflação e apoiado o crescimento e o emprego. O BCE defende uma inflação ligeiramente abaixo de 2%.

Lagarde também sublinhou que “a expansão económica da zona euro abrandou recentemente e que as perspetivas de crescimento estão em baixa”.

A futura presidente do BCE explicou que a situação se deve “a incertezas ligadas a fatores geopolíticos, a pressões protecionistas e a vulnerabilidades dos mercados emergentes”.

Em termos de resposta a dar, “não creio que o BCE tenha já atingido o mínimo” da sua política em matéria de taxas de juro”, afirmou, admitindo, no entanto, que “as taxas de juro baixas têm implicações para o setor bancário e para a estabilidade financeira em geral”, numa aparente tentativa de tranquilizar a Alemanha, que se tem queixado da política de baixas taxas de juro seguida pelo BCE, alegando que penaliza as poupanças.

Os detratores na Alemanha da política expansiva do BCE consideram que essa orientação visa sobretudo apoiar os países do sul da Europa, com maiores dificuldades, mas não é adequada a um país como a Alemanha.

Na próxima reunião de política monetária do BCE, no dia 12 de setembro, podem ser adotadas novas medidas de apoio, incluindo uma baixa na taxa de juro aplicada aos depósitos e um relançamento do programa de compra de ativos, que terminou no final de 2018.

Lagarde indicou ainda que espera “um impacto limitado” do ‘Brexit’ (saída britânica da União Europeia) no acesso aos serviços do setor financeiro da zona euro.

Christine Lagarde, a primeira mulher a liderar o FMI, ocupava o cargo diretora-geral da instituição desde 2011 e o seu segundo mandato, iniciado em 2016, terminava em julho de 2021. Deixa o FMI para suceder no BCE a Mario Draghi, que termina o mandato em finais de outubro.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lagarde defende orientação seguida por Draghi no BCE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião